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A cumplicidade do estado com a violencia.

Publicado em abr/09


Reportagens divulgadas pela imprensa durante os últimos dias nos dá um tenebroso panorama da situação dos policiais e da segurança publica. Reportagem do jornal nacional informava que as facções criminosas cariocas e paulistas estão infiltrando pessoas nas policias estaduais, bancando estudos e fraudando concursos. Reportagem publicada pelo jornal Diário de São Paulo informava que dois em cada três policiais militares sofrem de distúrbios psiquiátricos, não contam com médicos no hospital da PM e os oito psicólogos disponíveis para os 94 mil homens da PM paulista são oficiais, que atendem a tropa sempre na posição de superior e com mandato para dar voz de prisão caso identifique na consulta algo que fere a lei ou os códigos militares. Por fim a Folha de São Paulo trouxe a noticia que 80% dos policiais paulistas estão atolados em divida.



É leviano afirmar que quando você cruzar com uma viatura da corporação, encontrará um bandido infiltrado acompanhado de um homem com distúrbios psiquiatricos e de outro que não pagou sequer a conta do telefone e de água este mês. Os homens da policia militar são verdadeiros heróis na guerra contra a criminalidade, que já não se limita aos grandes centros, mas a situação preocupante da tropa ajuda a explicar boa parte das manchetes estampando policiais na condição de agente da criminalidade como os justiceiros da zona sul de São Paulo e Itapecerica e o policial bandido preso assaltando um medico no Pacaembu.



Um cara que não consegue pagar o aluguel e está abalado emocionalmente é muito mais suscetível as investidas do crime organizado e muito mais propenso a cometer um assalto ou assassinato, testemunhando a impunidade diariamente.



Os servidores estaduais estão a quatorze anos sem aumento em São Paulo, o PSDB dizimou a condição financeira do funcionalismo publico, terceirizou o que pode sob a falsa alegação de otimização de custos e boa gerencia administrativo-financeira. O resultado é que a saúde, educação e segurança publica estão definhando, como uma arvore infestada de cupins, Frondosa e aparentemente saudável mas prestes a ruir como é possível conferir todos os verões na cidade de São Paulo.



O câncer estatal é silencioso e de desenvolvimento lento, mas tão letal quanto pode ser. Daqui 20, 30 anos ao olharmos para trás poderemos ter noção da devastação que nosso estado se encontra e o quanto precisaremos trabalhar para recuperar o tempo perdido.



É preciso urgentemente tomar providencias no sentido de recuperar a auto-estima do servidor púbico paulista, a fim de propiciar as condições mínimas para um serviço de qualidade.



Fica muito fácil criticar o baixo desempenho do professor paulista na avaliação da secretaria, a baixa assiduidade dos servidores e o numero alarmante de crimes cometidos por agentes da lei sem analisar os tortuosos caminhos que levaram o quadro a este patamar. Professores são eternos temporários, em flagrante desrespeito a CLT. Agentes de apoio recebem R$:600,00, R$:700,00 por mês, policiais recebem menos de dois mil reais para enfrentar bandidos, o vale alimentação estadual é de R$4,00 entre outras mazelas.



Cada profissional do serviço publico é responsável por seu desempenho funcional e por seus erros e faltas éticas ou legais, mas o responsável por dar tanta margem para a piora do serviço publico é um só: O Senhor governador José Serra, com apoio de seus aliados e logistica de seus antecessores.



Se um ente seu morrer por falta de atendimento médico ou por procedimentos inadequados ou por uma arma da policia, saiba que o responsável direto por sua morte não agiu sozinho mas contou com o incentivo amplo, geral e irrestrito do governo.



Se seu filho desistir da escola após chegar ao ensino médio sem saber ler e escrever e decidir partir para o crime saiba que a educação familiar não falhou e se os professores falharam, o patrocínio da falha veio exclusivamente do governo.



Quando for praguejar contra os serviços públicos, imagine que o estado seja uma empresa qualquer e pense que as empresas são um reflexo de sua administração, crescendo quando bem administradas e falindo ou estagnando quando mal geridas. O estado é sua empresa e professores, médicos, policiais e pessoal de apoio refletem exclusivamente o seu administrador.



O exagero do titulo deste artigo apenas leva as ultimas consequencias a ação nefasta do governo paulista, que é o responsavel direto por todas as mazelas do estado quando não dá condições de trabalho aos servidores, desvaloriza a carreira publica e não investe em qualificação e treinamento de pessoal.





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1 comentários :

Regina Eunice disse...

Caro C.Q.

Como se não fosse suficiente os comentários, verdadeiros, acima descritos, existe, atualmente um outro problema ainda mais perverso, Com a venda da Nossa Caixa para o Banco do Brasil, ficamos ainda mais ferrados, pois o nosso "querido e sensível" ex-governador cancelou todos os "cheques especiais", sem nenhum motivo plausível, já que esses referidos benefícios já faziam parte dos nossos maravilhosos salários, e, de repente, "VAPO' pagando os débotos, efetuados durante o mês,como de costume, após serem pagos, não retornaram às nossas contas e praticamente, ficamos sem salário. No mês seguinte, acumularam e, consequentemente, virou uma bola de neve, que, nem eu, nem a torcida do flamengo, conseguimos honrar nossos compromissos mais básicos, ou seja, luz, telefone, gáz, farmácia, etc., sendo certo, ainda, que, em virtude dessa safadeza, não pude mais fazer meu tratamento médico, motivo pelo qual, só me resta morrer. Seria a saída mais honrosa para mim e todos os que estão na mesma situação. Será que voce poderia nos informar o que aconteceu, ou dar um espaço a todos os que estão em situação análoga para exporem seus tristes dramas, ou quem sabe, depois da 'COPA DO MUNDO' o "Zé Alagão" fará um pacote de bondade, ou será que o "quatro dedos", com a máquina (LEIA-SE Banco do Brasil)IRÁ OFERECER CRÉDITO ESPECIAL para regularizar a situação dos servidores? Aguardo ansiosamente sua resposta.
Beijo, me liga.