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Mariane Fantini - A violencia mata mais que a violencia.



A violência mata. Parece redundância, mas não é. Nossas crianças vivem assustadas com a violência cotidiana e como uma espécie de autodefesa vivem prevendo que podem ser a próxima vitima. Qualquer barulho no quintal, qualquer escapamento de moto estourando na madrugada fazem sentir insegurança e perigo iminente. É a violência fazendo vitimas além da própria violência em si. O stress causado pelo temor que a violência implanta vitimou a jovem estudante Mariane Nathalie Fantini, de 15 anos, em Santo André, grande São Paulo. Poderia ser só mais uma briga de garotos na porta da escola, como acontece desde que se inventaram a escola, o mais forte ou mais esperto levaria a melhor e seria o assunto do outro dia de aula, o valentão se vangloriando e o outro explicando como por azar aquele soco não pegou em cheio no queixo do sortudo oponente. Mas as crianças nas escolas de hoje em dia andam armadas, matam gente como se fossem moscas. Todo mundo sabe de um caso de assassinato na porta de uma escola Brasil afora. Para Mariane isto era demais, a violência era demais, ver alguém próximo sofrer tal violência era demais. Na saída da Escola Estadual Doutor Américo Brasiliense, o primo de Mariane resolveu acertar no muque, como antigamente, alguma diferença com um colega de escola, poderia ser só uma briga de garotos na porta da escola, mas Mariane, pressentindo algo pior não se conteve em sua emoção. Seu coraçãozinho, que talvez começasse a bater mais forte por aquele garoto todo especial que ela conheceu na semana passada, a sonhar ao ouvir aquela musica romântica, a sussurrar rimas de amor em seus ouvidos, simplesmente não segurou o baque. Foi demais para Mariane. Socorrida a um hospital não respondeu ao socorro médico e seu coração que talvez não soubesse direito o que significa amar, assim como amam os enamorados, mas sabia muito bem o que era temer, parou de bater e Mariane agora descansa em paz. Mariane não vai mais se assustar com a violência e nem será catalogada como vitima dela. A violência ceifou os sonhos de Mariane sem ser violenta com ela. Seja um símbolo Mariane, Seja o emblema da luta contra a violência que mata a cada um de nós, um pouquinho a cada dia, a violência que nos sufoca quando alguém atrasa alguns minutos, que nos ameaça quando a rua está escura, que nos diminui quando ostenta sua pujança. Eu e a sociedade brasileira morremos um pouquinho junto com você hoje. Que sua morte não seja em vão mas sirva como protesto. Seu martirio silencioso deve lembrar a sociedade que o que mais incomoda não é o brado dos maus mas sim o silencio dos bons!


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