CQ? na net:

O carro preto e o sequestro na porta de escolas - Verdades e mentiras.

- “Está todo mundo comentando”.


- “Passando um carro aí, tava pegando criança”.


- “Estão comentando que é o carro preto”.


- “Eu ouvi dizer que eles são vestidos de palhaço, de médico”.


- “Sequestrando, matando, pegando os órgãos, aí vendendo nos hospitais”.


A notícia, que passa de boca em boca, é a de que um carro preto está sequestrando crianças. O boato está deixando em pânico os moradores da zona sul da cidade.


“Meu filho corre quando vê um carro preto, ele chega em casa assustado. Falou, mainha, eu vi o carro preto”, conta Maria Luiza Isaias da Silva, desempregada.

“Uma história que foi criada, que tomou uma proporção maior e que as pessoas acabam acreditando que é verdade, mas na verdade não existe carro preto, não existe sequestrador, não existe nenhuma criança que foi morta”, garante Gilson Rodrigues, presidente da União de Moradores de Paraisópolis.


O comentário cresceu tanto que mudou a rotina dos pais. “Eu tenho que tomar cuidado, eu tenho que levar ela para escola, vou buscar”, conta Maria da Glória Alves de Andrade, dona de casa.


Mudou também a rotina das crianças. “Minha mãe não deixa eu sair de casa à noite”, revela Rafael, de 13 anos.


De tanto medo, uma mulher correu quando um carro escuro se aproximou dela. “Ela abaixou todos os vidros, tava com um jaleco branco e disse, vem aqui, por favor. Na hora do desespero eu saí com meu filho e comecei a gritar socorro”, conta ela.


Todo mundo conta, diz que ficou sabendo, que aconteceu com o colega do colega e passa para frente, mas o fato é que nenhuma dessas histórias foi confirmada. São as chamadas lendas urbanas, que também se espalham na internet.


Em uma das mensagens, o alerta é sobre assaltos nos cinemas dos shoppings. Um grupo de rapazes fica próximo à porta e poucos minutos depois, um rapaz saca um revólver dizendo que é um assalto.


Em outra mensagem que circula no Brasil, diz que um banco de olhos joga no lixo, as córneas não utilizadas. O boato foi tão grande que o hospital precisou montar uma central de atendimento para desmentir o comunicado.

“Em média nós temos umas 100 ligações por dia. Nós chegamos a registrar até seis mil ligações num dia e a única justificativa é por causa do e-mail”, relata Edil Vidal de Sousa, do Banco de Olhos de Sorocaba.


Um pesquisador diz que essas histórias surgem do imaginário popular. “Muitas vezes são fatos concretos que adquirem um estatuto de lenda, porque ela vai se repetindo, transformado, mas isso não precisa fazer mudar nossa rotina, fazer mudar nossos hábitos por causa de um medo infundado”, orienta Carlos Renato Lopes, pesquisador de cultura popular.





Com informações do G1.com


Região do Grajaú.

No dia 03 de maio de 2010, na porta de uma escola localizada no Parque das Nações um fato real ajudou a alimentar a boataria. Uma condutora  de transporte escolar alegou que deixou a filha de seis anos na Van enquanto buscava as crianças no pátio da escola e ao retornar encontrou um homem “tentando pegar a menina”. Funcionários da escola percorreram algumas ruas do entorno imediatamente e acionaram a Ronda Escolar sem que ninguém encontrasse vestígio do suspeito. O desespero da mulher foi real mas o “ataque” não ficou comprovado.





Após esta ocorrência funcionários da escola vigiam a Rua durante a entrada e saída dos alunos e a Ronda Escolar tem intensificado o patrulhamento sem que ameaças tenham sido perceptíveis.





Todos os dias surgem novos relatos sem qualquer comprovação, inclusive envolvendo uma escola particular da região que são veementemente negados pela direção da escola e pela delegacia da região.





Zona Leste





O menor F. S. L., de nove anos, desapareceu na segunda-feira (3). Na madrugada de quarta (5), o corpo dele foi encontrado a 20 metros da casa onde morava, enrolado em um lençol, com marcas de espancamento. Foi o primeiro homicídio no bairro em três anos. Em luto, parte do comércio e as escolas fecharam as portas. No bairro, o clima é de revolta e preocupação.


O caso foi encaminhado para o DHPP, a Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa. A delegada Cíntia Tucunduva promete rigor na investigação.


“Nós estamos trabalhando com todas as informações que estão sendo passadas e vamos checar uma a uma até chegar por um caminho único.”


A polícia já sabe que o menino morreu estrangulado longe do local onde o corpo foi encontrado. Todavia a hipótese do carro preto ou roubo de órgãos sequer foi aventada.

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