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O mito da infidelidade masculina não precisa ser disseminado.

A revista Época desta semana traz uma reportagem sobre a infidelidade masculina, onde uma psicóloga européia afirma que “Homem fiel é tão raro que as mulheres nem deveriam se preocupar”. A própria reportagem informa que a “pesquisadora” não tem dados estatísticos, baseia suas convicções em meia dúzia de entrevistas e afirma que não quer quantificar os infiéis, muito embora faça exatamente isto ao alardear a suposta raridade de homens fiéis.

Estudos mais sérios, inclusive no Brasil, já afirmaram que quando o assunto é a “pulada de cerca” o brasileiro mente. E faz isto por questões culturais. Como a infidelidade feminina é repugnante socialmente, bem ao contrario da masculina que é algo esperado e até desejado, os homens acabam dizendo que traem muito quando na verdade traem pouco ou quase nada e as mulheres negam que façam sendo que na verdade não deixam de fazer.

A pesquisadora narra em um livro inclusive os tipos de homens, subtraindo o homem fiel.

Para o livro os homens se dividem assim:

O monogâmico infiel e mentiroso que só ama sua mulher oficial.
É um perfil bem comum. Adora a mulher e os filhos, idolatra a família, valoriza o trabalho. Mas não se imagina abdicando de seus casos sexuais, nunca amorosos. Nada que ameace a família ou magoe a mulher. É discretíssimo, mais cuidadoso ainda nestes tempos de internet. Ele se casou para toda a vida. As outras só importam porque o fazem se sentir atraente e vivo. Não se considera infiel.

O polígamo ansioso.
Que quer ir para a cama com todas. Liberdade sim, casamento nunca. “Esse homem imaturo é cada vez mais frequente, mas especialmente na juventude”, diz Maryse. Só que alguns jamais passam desse estágio. Ou passam, mas voltam sôfregos à ativa muito depois, com a ajuda de medicamentos e a ingenuidade da velhice.

Os infiéis crônicos
Que se apaixonam também pelas amantes. “Esses continuam a aumentar – junto com os divórcios. Associam casamento à paixão e vão buscando outras eternamente. São homens meio perdidos que acham que só as mulheres podem ajudá-los a crescer e amadurecer.” Existem os fiéis cativos e obsessivos, mas “esses têm ciúme até do passado da mulher e podem se tornar violentos”. Por fim, o espécime raro e sonhado por tantas mulheres: “o fiel por alegria e convicção”. Seria um perfil mais comum entre casais de meia-idade, que começam uma relação madura e plena após alguns insucessos.




É bem possível que existam todos estes tipos de homens, tal qual descrito. O improvável é que os tipos sejam majoritariamente estes. Da perspectiva da matéria homens são acima de tudo maquinas de fazer sexo cujas vidas se organizam somente a partir de sua sexualidade. A coisa complica um tanto mais quando a autora sugere que lançou o livro para que as mulheres não se sintam culpadas por este comportamento animalesco, inevitável e intrisseco aos homens e até que uma  pulada de cerca é algo salutar para o casamento, incutindo a idéia de que ser traída pelo marido é tão natural como chegar à maturidade com rugas no rosto e o melhor a ser feito é aceitar isto passivamente.

No mundo que vivemos hoje não cabe a separação de comportamentos sociais por gênero e é no mínimo ingênuo afirmar este tipo de coisa. Soa como uma ofensa às conquistas de mulheres e inteligência de homens modernos.

O livro parece ser uma coletânea de crenças pessoais, dissemina mitos e serve apenas para corroborar um pensamento arcaico sobre a “guerra dos sexos”, mas deve ser uma ótima pedida caso seu filho tenha sido expulso de casa pela mulher ao ser pego com batom na cueca e caiba a você a difícil missão de convencer a moçoila de que este é o tipo de coisas que normalmente colocam na cabeça delas.

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