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TV = BREJO DE TIRIRICAS


Na mesma linha de meu recente artigo TV = 60 anos de devastação cultural, Luiz Fernando Vianna, colunista da 'Folha', faz nesta 5ª feira (23) uma análise exemplar do lodaçal em que se transformou a TV aberta brasileira.

Merece ser reproduzida na íntegra:


Luiz Fernando Vianna

Fartamente repisado na imprensa nos últimos dias, o espanto com o sucesso da candidatura Tiririca é um tanto espantoso.
Parece que não temos contato diário com o ninho de onde saiu Tiririca: a TV aberta brasileira.
O humorista despontou e permanece em programas em que o riso nasce do grotesco, a mesma matéria-prima de boa parte do que as grandes emissoras veiculam.
Visto por dezenas de milhões de pessoas, o que é o 'Domingão do Faustão' senão um monturo de cenas violentas oferecidas ao sadismo coletivo, poluição publicitária e, com exceções, música ruim? (O prefeito do Rio, Eduardo Paes, é um político que elege as videocassetadas como o que há de melhor para ver, o que diz muito sobre ele e sua classe.)
As alternativas dominicais na TV aberta são Silvio Santos, Gugu Liberato, 'Pânico na TV'... um brejo de tiriricas.

E, para ficar no mesmo dia da semana, ainda há o 'Fantástico', no qual alguns momentos de bom jornalismo se misturam a tribunais extrajudiciais, reality shows em que adultos berram com crianças e outras excrescências.
O horário eleitoral gratuito está compulsoriamente encaixado na grade das emissoras. Não deixa de ser, portanto, um programa de TV.
No vazio da política em que vivemos, fenômeno global identificado pela perda de credibilidade do sistema de representação e dos partidos - mas que é mais profundo -, os protagonistas das campanhas são aqueles já reconhecidos pelo espectador massificado e/ou os que dominam as armas do grotesco.
Em Rio ou São Paulo, já foram campeões de votos Agnaldo Timóteo, Clodovil, Enéas... Neste ano, entre outras 'celebridades', serão Tiririca, Netinho, Romário, Wagner Montes. Não adianta fazer cara de nojo. Eles são a zorra total que deixamos esse país virar.

Postado originalmente no Blog Náufrago da Utopia do Jornalista e Escritor Celso Lungaretti

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