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Um passeio no Pari, a Babel paulistana.

Hoje fui levar a família para as primeiras compras de natal no bairro do Pari, região central de São Paulo. Enquanto o povo "fazia suas economias", pude olhar com mais calma e atenção este pedaço da cidade. De cara passei pela Mesquita do Brás, cuja imagem ilustra este artigo. Por sí só é um local que merece ser conhecido por quem mora ou está na cidade de passagem. O templo remete ao Oriente Médio e nos leva por uma viagem fascinante pela cultura daquele povo. Ali pertinho é possível degustar delicias da cozinha árabe feitos na hora, tudo preparado a vista dos fregueses, muitos dos quais conversando entre si em sua língua mãe. Aliás, andando entre as lojas não se demora a identificar outros sotaques entre lojistas e clientes.

Não é difícil encontrar sacoleiras africanas (sim, elas cruzam o atlântico para comprar os produtos que revendem no além-mar) em conversas animadíssimas. Os sulamericanos são representados principalmente por bolivianos e peruanos, estes geralmente fazendo o trabalho mais pesado, como carregar os carrinhos abarrotados de mercadorias por ruas igualmente apinhadas, de gente.

Os asiáticos e os árabes são fartamente vistos por trás dos balcões, cada "tribo" comerciando o que melhor se identifica. 

Geralmente os estrangeiros se aglutinam em grupos e, até para manter viva a ligação com a pátria, conversam sempre em sua língua, de forma que é muito fácil ouvir cinco ou seis grupos conversando em idiomas diferentes, andando poucos metros pela região.

Pelas vans e ônibus encostados nos arredores e ainda pelos sotaques tão peculiares e distintos, identifica-se visitantes de todas as partes do país e ouve-se o bom e velho português brasileiro falado de tantas formas, que até parece ser mais de uma língua. 

É interessante notar que com tanta gente de origem e etnias diferentes, tudo ocorre nas mais perfeitas ordem e harmonia. Nem dá para imaginar que muitos daqueles chegaram aqui fugindo de perseguições e guerras, muitas das quais enviaram para cá os que eram inimigos em suas pátrias.

O fio condutor de toda esta engrenagem é um sentimento único, nutrido por todos os que circulam por ali: A vontade de construir uma vida digna, prospera e pacifica através do comércio, que afinal é o que move o mundo. As lojas populares oferecem preços imbatíveis para comerciantes de qualquer origem, cor, credo ou etnia. Não sei que tipo de qualidade se pode atestar numa calça jeans que é vendida por R$:20,00 e tampouco como é cumprida a legislação, sobretudo trabalhista e tributária, por ali. 

O que salta aos olhos é o caldeirão de cultura que se parece muito com uma aula ao vivo e em tempo real e, nestes tempos de crise de refugiados,  a esperança de que ainda exista salvação para a humanidade. Pelo menos nesta babel, todos se entendem, se respeitam e , de alguma forma, se ajudam.

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