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Stalker - Para entender o caso Ana Hickmann/Ricardo Augusto.

com fotos de Ego/G1 e informações de Cientific American Mente Cerebro /UOL
Esta é uma historia que pode ser contada por dois lados. A apresentadora - e o país - estarrecida com um fã do tipo "louco apaixonado" cuja existência ela não deu muita bola e que por muito pouco não acabou com sua vida ou o irmão perplexo com o garoto bom e reservado, carinhoso e tranquilo que foi assassinado ao tentar se aproximar do ídolo. em sua entrevista o irmão repetia a todo momento: "Eles mataram meu irmão" e "ele era um menino bom, nunca se envolveu com nada".

Como toda história, existe um terceiro lado. Nem sempre a verdade está no que você vê ou no que o outro vê.

O amor patológico ganha repercussão quando atinge famosos, a atriz Uma Thurman e a tenista Steffi Graf sofreram este tipo de assédio com grande repercussão mas, o caso é mais recorrente e atinge indistintamente pessoas de todos os estratos sociais, causando transtornos, dissabores e não raramente tragédias. Nestes tempos de internet e redes sociais, o fenômeno ganha terreno fértil para se propagar.

O termo stalker é usado pelos jovens descolados para definir quem anda "fuçando"  no perfil alheio, na versão moderna do amor platônico ou de ciumentos exacerbados. O termo remete a caça, aproximação sorrateira e na psicologia remete também a mente doentia.

Os stalkers, segundo a publicação "Mente Cerebro" foram identificados já no século XIX e reúnem alguns traços comuns:  60% são depressivos, 1 em cada 3 sofrem de estado de ansiedade e 40% reincidem. Pesquisa da antropóloga Helen Fischer da universidade Rutgers em new jersey realizada em 2.005 desvendou o ciclo vicioso dos stalkers. Segundo Helen, a dopamina (responsável pela motivação) em excesso  explica organicamente o processo, não obstando os aspectos puramente psíquicos, reforçando a "admiração intensa" assim que a pessoa desejada desaparece, ao mesmo tempo stalkers sofrem falta de serotonina, abrindo caminho para a depressão e ansiedade.

O stalker projeta no objeto de desejo sentimentos e expectativas que não correspondem com a realidade. mesmo a vitima sendo taxativa em suas negativas, para ele as chances de aproximação ou reaproximação são reais e em algum momento acaba descambando para violência psicológica e física.

Entre as vítimas estão muitas ex mulheres e namoradas ou maridos e namorados (sim, elas também se tornam stalkers!) mas não só, em muitos casos a admiração é fortuita e ocorre sem que a vitima concorra de qualquer forma para isto. Quando ocorre com famosos é mero dado estatístico, já que fazem parte da população e a chance de sofrer stalking é proporcional, similar as chances de desenvolver câncer ou ser assaltados na rua.

Em geral o stalker é uma pessoa normal, lida com todos os outros aspectos de suas vidas sem sobressaltos e não chama a atenção de ninguém, se transformando apenas quando trata com suas vítimas, onde o comportamento ultrapassa o simples cortejo ou assédio, chegando a perseguições e ameaças, inclusive à pessoas próximas ou animais de estimação, transformando a vida de suas vitimas num verdadeiro inferno. 

O stalker vê correspondência em sua obsessão e por um longo período acredita que vai conseguir convencer a vítima e se aproximar, não raro fantasia uma aproximação inexistente. Nos EUA existe caso de stalking que perdurou por 30 anos! quando isto não ocorre, o sentimento de vingança aflora de forma potente, sobrepujando a consciência e levando o stalker a cometer as atitudes mais extremas e aparentemente tresloucadas. 

No Brasil não há um histórico de estudos destes casos mas eles estão aí e diariamente aparecem nos telejornais populares como o ex que persegue, agride e mata ou o cara que não foi correspondido e cometeu uma loucura, matando e se suicidando. Tantos outros casos estão obscuros nas redes sociais, tidos e havidos "como aquele carinha chato que não larga do meu pé" ou "aquele ex que me persegue". É hora de aprofundar o debate.   

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