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Porque as prostitutas não beijam? Sobre relacionamentos.

Em 2009 eu ainda assistia tv e numa determinada segunda-feira o assunto do Roda Viva (Um programa sério e importante nesta época)pareceu-me bem interessante e quem fez esta escolha não me parece que tenha se arrependido. A entrevistada, Gabriela Leite, é a madre Tereza das prostitutas cariocas, autora do livro em que conta como é ser filha, mãe, avó e puta, alem de criadora da grife Daspu e da ONG Davida.


Um dado em particular chamou-me a atenção. A afirmação de que prostitutas não beijam (ou não gostam de beijar) clientes na boca. A primeira vista parece uma contradição, já que se prestam a “serviços muito mais complexos que um simples beijo”.

Certa vez Jô Soares (que está em sua última temporada na tv e era igualmente importante à época) afirmou em seu programa que o beijo é muito mais intimo que o sexo, já que sexo só tem a ver com desejo. Qualquer pessoa é capaz de (querer) transar com alguém sem ter absolutamente outro interesse qualquer em jogo.

Já o beijo remete a sentimentos mais nobres. A despeito das modernidades, em que ficar é quase um padrão de relacionamento para muita gente, o beijo inspira ternura e é como um cartão de visitas da alma. Um beijo realmente bom sem qualquer sentimento é cousa realmente rara, se é que existe.

Mesmo quem está acostumado a beijar muuuito, ao beijar apaixonadamente sente a diferença e provavelmente não vai querer gastar beijo à-toa nunca mais.
Alias, dificilmente alguém guarda na memória uma transa em detrimento de um beijo, e um parceiro sexual melhor é sempre mais fácil de encontrar do que alguém que lhe faça esquecer aquele beijo que deixou seus neurônios em transe e suas pernas tremendo.

Não estamos medindo aqui a importância de um e de outro, tanto o sexo como o beijo são da maior importância para uma vida a dois saudável. Existe quem dê mais importância ao beijo e quem prefira o sexo e não existe beijo no mundo que conserte um desastre duradouro na cama. Mas hoje em dia sexo já não é exclusivamente uma extensão do beijo e cada qual pode perfeitamente seguir sua carreira solo sem que um implique no outro.


Beija-se sem transar e transa-se sem beijar.

“Os tempos modernos” conseguiram sem duvida tirar o glamour do sexo. Para a juventude contemporânea sexo é quase uma necessidade fisiológica e como uma refeição, pode ou não ser prazerosa, mas pouco importa, já que amanhã ou à noite saborearemos um prato diferente.

Com o beijo, o processo até foi tentado, já que hoje em dia é possível beijar mais gente em uma noite do que a duas gerações passadas as pessoas beijaram em toda a vida, mas com o beijo ocorre algo de mágico e quando se encontra alguém que lhe beije com amor recíproco o mundo simplesmente para, a consciência foge para longe, talvez amedrontada e a vida ganha um novo sentido

Publicado originalmente em 02/06/2009 no blog Pindorama Press e até hoje uma das postagens mais acessadas por lá

1 comentários :

Anônimo disse...

é?