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Meu querido diário.

Imagem da internet

Acordou de madrugada para ir assaltar a geladeira, haviam notificações muitas no smartphone. Quase que a sobremesa fora de hora fica pra depois, aquela curtida, que comentário! ao levantar cedinho, antes de vestir o roupão e se espreguiçar já conferiu as redes sociais, por pouco não perdeu a hora.

Olhando as publicações passadas da pra rir, sentir saudades, raiva. muitas lembranças compartilhadas! o cabelo horrivel, o amigo que não se vê há tempos, aquela viagem...

A historia das pessoas hoje em dia é escrita e compartilhada publicamente. Olha o que fiz pro almoço! Feliz dia do apontador de pontos dos funcionários das estações espaciais! Sou contra isto, a favor daquilo. Este texto é a cara de "fulano" e esta indireta serve direitinho pra aquela pessoa abominável que tenho que suportar. Aff! KKKK! rsss OmG LoL. Em um relacionamento complicado, solteiro sempre, sozinho nunca! amo animais e sinto compaixão pelas vitimas dos alienígenas malvados! "Atirei o pau no gato" - Autor: madre Tereza de Calcutá 

Na ultima geração antes desta (ainda outro dia) as coisas eram diferentes. meninas e meninos tinham diários! cadernos, agendas ou livretos próprios (alguns com chaves) para anotar com caneta esferográficas as timelines de cada um. meninas compartilhavam entre si orgulhosas (mas só as melhores amigas ou o que muitas hoje chamam de BBF's), meninos escondiam algumas coisas (sobretudo dos melhores amigos ou como costumam dizer hoje parças), receosos. Já imaginou se a turma descobre que sou romântico? meninas desenhavam florzinhas multicoloridas, meninos rabiscavam pichações e personagens, ambos recheavam as folhas com letras de música.

Em algumas épocas, ao invés de trocarem publicações nos murais virtuais, trocavam-se textos nos diários. Elaborados sem corretor ortográfico, diga-se! Versos criativos (ou nem tanto) escondidos cuidadosamente dos eventuais curiosos.

Quantas confidências, quantas descobertas, quantos momentos! Muita gente inventava novas "línguas" escritas e faladas, só para manter a privacidade. 

Eu tinha o meu também. Meu pai trazia todos os anos algumas agendas que ganhava de brinde no trabalho e  eu sempre me apoderava de pelo menos duas, precavendo os públicos distintos para o meu mural. Para as meninas poesias e contos autorais, que mesmo ridículos faziam sucesso; para os meninos citações, recortes da revista placar e organização de campeonato de futebol de botão.

Havia algo mágico nos diários. eu adoraria ter preservado os meus. A grande diferença entre o diário e as redes sociais é que nas redes sociais postamos geralmente quem queremos ser ou o que queremos mostrar. Os diários guardavam nossa verdadeira história e essência, naquelas letrinhas caprichadas, desenhos primários, recortes e cartões ficavam registradas nossas verdadeiras, intimas e secretas histórias de vida.

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