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SBNeC e a Liberação da maconha – Os cientistas que mataram Deus.


A Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento (SBNeC) é uma entidade séria. Congrega 3.000 cientistas engajados em entender – e explicar – a interação do cérebro humano com tudo que o afeta de alguma forma.

Nenhum cientista sério tenta influenciar a sociedade segundo seus princípios e usando para isto seu conhecimento, sua posição cientifica ou seus títulos. É evidente que cientistas fazem parte da sociedade e devem ter direito a opinião pessoal, mas não podem se valer da ciência para fazer valer suas posições.

A mais antiga divergência entre a sociedade e a ciência é a existência ou inexistência de um ente superior e criador do universo. A maioria das pessoas comuns acredita em algum ente superior (Deus, Alá, espíritos, entidades, etc...) e a proporção de crentes no meio cientifico é inversa. Ainda assim, poucos são os casos de cientistas sérios que tenham se engajado para impor a sociedade seu ceticismo religioso.

O musico carioca Pedro Caetano conhece a legislação brasileira e deliberadamente infringiu o código penal nos artigos em que foi enquadrado ao ser denunciado e pilhado com sua plantação particular de maconha. (10 pés e 8 mudas) Aqui mesmo neste blog temos um artigo defendendo que plantar é menos grave que comprar e citamos um universitário paulista que foi preso pelo mesmíssimo motivo. Como se percebe o caso do musico não foi o único ou sequer o primeiro.

 Leia mais: Plantar ou comprar? Alguma coisa está fora da ordem. sobre estudante preso em Assis pelo mesmo crime que o musico carioca sem que um só cientista se manifestasse.

Entretanto a prisão de Pedro indignou quatro cientistas membros da SBNeC e dos quadros de universidades federais que publicaram uma carta aberta onde defendiam o uso recreativo da erva entorpecente. Numa sociedade que luta para minimizar os efeitos colaterais do cigarro comum  é no mínimo um contra-senso. Num país onde o álcool – outro entorpecente de origem vegetal – mata mais que a maioria das guerras da história a tal manifestação chega a ser leviana. Considerando que a defesa da recreação a base de maconha serve apenas como maquiagem para interesses pessoais – protestar contra a prisão do musico maconheiro, e tão só deste maconheiro – torna a opinião nula e o fato de usarem indevidamente o nome das instituições a que pertencem, dando um caráter institucional a opiniões pessoais, faz da história um ato criminoso.

Cecília Hedin-Pereira (UFRJ), João Menezes (UFRJ), Stevens Rehen (UFRJ) e Sidarta Ribeiro (UFRN) rasgaram o código de ética que deve reger a relação da ciência para com a sociedade. Se Charles Darwin passasse metade da vida alardeando que não há Deus sua teoria da evolução, provavelmente,  não passaria de falácia. A ciência serve para estudar, entender e explicar. Quando um cientista usa a ciência para embasar convicções pessoais não está fazendo ciência, mas praticando charlatanismo.

Confira a integra da carta publicada na Folha de São Paulo de 14 de julho de 2010:



“A planta Cannabis sativa, popularmente conhecida como maconha, é utilizada de forma recreativa, religiosa e medicinal há séculos mas só há poucos anos a ciência começou a explicar seus mecanismos de ação. Na década de 1990, pesquisadores identificaram receptores capazes de responder ao tetrahidrocanabinol (THC), princípio ativo da maconha, na superfície das células do cérebro. Essa descoberta revelou que substâncias muito semelhantes existem naturalmente em nosso organismo, permitiu avaliar em detalhes seus efeitos terapêuticos e abriu perspectivas para o tratamento da obesidade, esclerose múltipla, doença de Parkinson, glaucoma, ansiedade, depressão, dor crônica, alcoolismo, epilepsia e dependência de nicotina, entre outras enfermidades. A importância dos canabinóides para a sobrevivência de células-tronco foi descrita recentemente pela equipe de um dos signatários, sugerindo sua utilização também em terapia celular.

Em virtude dos avanços da ciência que descrevem os efeitos da maconha no corpo humano e o entendimento de que a política proibicionista é mais deletéria que o consumo da substância, vários países alteraram suas legislações no sentido de liberar o uso medicinal e recreativo da
maconha. Ainda que sem realizar uma descriminalização franca do uso e do cultivo, o Brasil veta (através do artigo 28 da Lei 11.343 de 2006) a prisão pelo cultivo de maconha para consumo pessoal, e impõe apenas sanções de caráter socializante e educativo. Infelizmente
interpretações variadas sobre esta lei ainda existem. Um exemplo disto está no equívoco da prisão do músico Pedro Caetano, integrante da banda carioca Ponto de Equilíbrio. Pedro Caetano está há mais de uma semana numa cela comum acusado de tráfico de drogas. O enquadramento incorreto como traficante impede a obtenção de um habeas corpus para que o músico possa responder ao processo em liberdade.

A discussão ampla do tema é necessária e urgente para evitar a prisão daqueles usuários que, ao cultivarem a maconha para uso próprio, optam por não mais alimentar o poderio dos traficantes de drogas. Em seu próximo congresso, de 8-11 de setembro próximo, a Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento (SBNeC) irá contribuir para a discussão deste tema pouco conhecido da população brasileira. Um painel de discussões a respeito da influência da maconha sobre a aprendizagem e memória e também sobre as políticas públicas para os
usuários será realizado sob o ponto de vista da neurociência. É preciso rapidamente encontrar um novo ponto de equilíbrio.

Cecília Hedin-Pereira (UFRJ)
João Menezes (UFRJ)
Stevens Rehen (UFRJ)
Sidarta Ribeiro (UFRN)"

4 comentários :

Erva Doce disse...

Amigo, quem rasga o código de ética é você. Só que vc rasga é o da comunicação, que prega que a produção de informação deve contemplar as mais diversas opiniões, dados e fatos. A mídia tradicional, assim como demais setores dominantes da sociedade, há anos estão aí manipulando a sociedade, não deixando que ela formule suas opiniões por si mesma, ao contarem uma história só dão um lado. O que interessa à manutenção do poder e do domínio.

Neutralidade não existe. Todos somos sujeitos políticos e temos obrigação de explicitar o que pensamos bem como utilizar o conhecimento capazes de produzirmos para defendermos nossas ideias. O mundo é construído assim. Fosse assim não seria ético que um economista defedndesse o neoliberalismo, doutrina construída academicamente, isto é cientificamente, mas também politicamente. Ou os antropólogos não poderiam defender os indíos. Os sociológos não poderiam reclamar e brigar pela justa distribuição de renda e de terras só porque provaram com teoria, observação empírica e ciência as desigualdades da sociedade capitalista.

Você aqui dá sua mera opinião dizendo que cientistas não podem se manifestar. Como disse é uma mera opinião de quem quer manter as pessoas no obscurantismo. Se vc não se conforma com o fato de as poucas pesquisas científicas sérias mostrarem que a maconha não faz o mal, o que se esconde da sociedade, culpe a Deus, criador da planta. E não os homens que estão revelando a verdade que por muito anos setores politico e econômicos dominantes escamotearam.

Você comparar álcool, cigarro e maconha, é mesma coisa que você comparar sorvete, batata frita e bacalhau. O primeiro pode matar os diabéticos, o segundo os obesos, o terceiro os hipertensos.

Você pregar a manutenção do proibicionismo é simplesmente negar o que os estudos antropológico, sociológicos, psicanalíticos, médicos vem afirmando sobre isso. Faz muito mais mal à sociedade a proibição que a legalização.

Legalização não é liberou geral, pois é assim que já é hoje em dia. Uma coisa que não tem o menor controle, nem do que é vendido, nem de quem vende, nem de quem compra, nem de quem reprime. Vivemos um verdadeiro oba oba. Legalização pressupõe regulamentação, controle sanitário, fiscal, proibição que menores adquiram, etc.

Fala sério, ninguém está discutindo proibição ou mesmo restrição do comércio e do uso individual de álcool e tabaco. O máximo que o Governo faz são campanhas de conscientização, programas de tratamento e criação de restrições que garantam o direito e a saúde do outro, como proibir fumar em locais fechados ou dirigir alcoolizado. Fora isso, não há um setor, com excessão dos fundamentalistas religiosos, que defendem a proibição dessas drogas.

Então, não venha você também querer restringir o acesso da população à informações qualificadas para formação de opinião. Tu tens o direito de ser contra, mas não o de criticar ninguém por defender e fazer isso em cima de argumentos palatáveis, científicos, plausíveis.

Aliás, esse é o problema de quem é contra a legalização. Sua defesa como geralmente é fraca de argumentos que possam ser comprovados, passam pela tentativa de desqualificação do outro.

Quem planta, está quebrando o tráfico de drogas. O Estado não tem o direito de intervir no direito privado, individual. Que mal faz alguém que fuma maconha na sua casa e vai dormir ou ver um filme por exemplo? Faz mal? Então vamos proibir o café e coca cola, substâncias altamente viciantes e que atacam fígado, coração, etc.

Anônimo disse...

“Cecília Hedin-Pereira (UFRJ), João Menezes (UFRJ), Stevens Rehen (UFRJ) e Sidarta Ribeiro (UFRN) rasgaram o código de ética que deve reger a relação da ciência para com a sociedade.”(sic)
O senhor deveria indicar qual o artigo violado pelos cientistas, até mesmo por que violar o código de ética é uma acusação muito grava, ainda mais que veiculada em meio de comunicação.
Ao contrário estão desempenhando o papel esperado, de cientistas que são. Trazendo luz sob uma questão obscura.

“Se Charles Darwin passasse metade da vida alardeando que não há Deus sua teoria da evolução, provavelmente, não passaria de falácia. A ciência serve para estudar, entender e explicar. Quando um cientista usa a ciência para embasar convicções pessoais não está fazendo ciência, mas praticando charlatanismo.”
Companheiro abra um dicionário e leia significado de ‘convicção" - “certeza obtida por fatos ou razões, que não deixam dúvida nem dão lugar a objeção;"

Não é justamente esse o objetivo da ciencia? creiar convicção?

O amigo deveria ler mais e escrever menos.

Anônimo disse...

Caro Cidadão Quem.

Lendo estes comentários relacionados a cima, chego a conclusão que este assunto é extremamente polêmico, e que embora tenham muitas piadas a respeito deste assunto na minha opinião não é engraçado e sim muito sério.

Observando o número de pessoas que fazem o uso recreativo da maconha, pois eu não conheço nenhuma pessoa que fuma maconha a título de outra finalidade, pode-se observar que a maioria são pessoas que trabalham, pagam seus impostos como qualquer careta, pessoas extremamente competentes e responsáveis em suas atividades laborativas, que por causa do esteriótipo criado para a pessoa do maconheiro, certamente seria descriminado por qualquer cachaceiro vagabundo só porque não fuma maconha e portanto se sente no direito de descriminar, fazem igual ao macaco que senta em cima de seu rabo e fala mau do rabo do vizinho .
Não seria melhor para todos se liberassem a maconha, óbviamente que a exemplo de tudo que consumimos teria um gigantesco imposto e assim criariam mais empregos, arrecadariam mais impostos e o principal seria uma paulada nas pernas do tráfico de drogas.
Porque será que a lei seca não vingou? Será que o governo se sentiu vitorioso ou de certa forma achou que fez um grande bem a sociedade liberando o álcool? Se realmente tem a convicção que a liberação do álcool foi uma evolução porque não liberam também a maconha? Conforme se pode verificar através de estudos, a maconha é das drogas de longe a que tem mais prós do que contras, então porque não liberam? Talvez se os filhos de políticos entre outros, conhecidos popularmente como tubarão ao inves de tomarem extase ou ácido ou cheirar a tal da "escama de peixe" (cocaína com alto índice de pureza) apenas fumassem maconha, certamente a maconha já estaria legalizada ha muito tempo, um exemplo é o que é comum você ve gente da mais alta classe social se embebedarem de segunda a segunda sem dar satisfação a quem que que seja, que o diga o nosso presidente.
Se este país fosse só um pouco mais evoluido, certamente ja teria legalizado a maconha a exemplo de outros países europeus que são muito mais evoluidos e respeitados que nossa modesta provincia de portugal, que depois de mais de 500 anos de "domínio feudal subliminar" não conseguiu ter a mínima personalidade para aplicar as melhores leis para o funcional andamento de nossa falida democracia.
Mas como diz o dito popular "EM TERRA DE SACI CADA CHUTE É UMA VOADORA".
ABRAÇOS.

Anônimo disse...

Gostaria de fornecer ao autor do artigo publicado acima algumas informações que espero que junte às que já tem para formular suas opiniões sobre uso recreativo de maconha. Tenho 38, sou designer de produtos e professora universitária, mãe e cidadã cumpridora de seus deveres. Fumo maconha desde os 18 anos, atualmente só fumo maconha plantada por mim ou por amigos. Fumar maconha nunca fez de mim uma pessoa pior: passei em vestibulares para universidades públicas, tirei boas notas, sou profissional reconhecida pelos meus pares, tenho artigos acadêmicos publicados, defendi uma dissertação de mestrado e uma tese de doutorado com louvor. Meus filhos são crianças saudáveis e felizes. Todavia, pela legislação brasileira, eu sou uma criminosa, deveria estar presa. Meu crime é gostar de usar eventualmente uma planta que me proporciona de duas a seis horas de relaxamento, boas conversas e momentos divertidos com bons amigos. Sinto-me injustiçada e vítima de preconceito. Eu não aprecio bebidas alcoólicas, mas tolero que algumas pessoas, quando reunidas em comemorações, façam uso delas para relaxar, sorrir e dançar. Mas o questionamento é inevitável: por que eu não posso fumar meu baseado? Nem sustentar o crime eu faço mais, pois planto minha erva há mais de 5 anos. Quero discutir a lei que faz de mim uma criminosa!