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Eu acredito que os crimes imputados a Lula existem e que sim, ele é culpado. Eu acredito que o projeto de poder do PT instaurou uma quadrilha em Brasilia para se financiar e que alguns de seus membros desviaram o dinheiro (destinado a principio para o tal projeto de poder) para o enriquecimento pessoal, que Lula foi um destes beneficiários espúrios e que deve responder por isto. Mais do que isto eu acredito que as metas do famigerado Foro de SP compõem a utopia petista, que os governos do PT são os responsáveis pela atual crise e que se o Brasil não se tornou uma Venezuela, isto se deveu simplesmente pelo funcionamento, ainda que capenga, de nossas instituições.

 E por que cargas d'água Lula deveria sair da prisão e concorrer a presidência? Porque o funcionamento, ainda que capenga, de nossas instituições devem garantir o cumprimento dos ritos que garantem a democracia e os direitos de todos os cidadãos. 

A atual guerra do judiciário sulista (em pleno recesso, diga-se) não tem razão de ser e não há registro que já tenha ocorrido. Se o juiz plantonista, ainda que sendo um petista de carteirinha, que só se desfiliou do partido ao assumir o cargo de desembargador, proferiu decisão de soltura, o legal e normal é que cumpra-se. Todo mundo conhece o batido ditado que Decisão judicial se cumpre (e só). Cabe as instancias contrarias a decisão tomar medidas cabíveis a reparação de eventual erro ou dano ao ordenamento jurídico pelos meios legais. Não tem cabimento esta guerra ideológica que leva a estapafúrdia situação de instancias diferentes proferirem concomitantemente decisões  contrarias sobre o mesmo fato. Fica parecendo briga de pai e mãe para legitimar sua posição sobre se o filho pode ir pra balada ou não e enseja a desconfiança que, ao menos um dos lados, está agindo para além da obrigação funcional de fazer justiça.

Eu creio que se Lula se candidatar e ganhar as eleições o país sofrerá um revés terrível e mergulhará numa idade das trevas politica e economicamente, mas - ao menos aparentemente - muita gente pensa diferente. O meio adequado para evitar isto é o surgimento de um projeto politico que seja capaz de arrebatar as almas e os corações que hoje pulsam por Lula.

Seus eventuais crimes devem ser investigados, comprovados e punidos com isenção, de acordo com as regras, praxes e prazos aplicáveis a todos os demais cidadãos brasileiros. usar a justiça para, a priori, derrubar o projeto politico do PT e de Lula é antidemocrático e tão nefasto quanto o que tentam comprovar que Lula seja. E se esta linha prosperar, não se fará justiça, antes é mais provável que fomentem uma convulsão social de proporções jamais vistas.
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Tempos atrás um programa humorístico que passava na Band resolveu testar o discurso do povo brasileiro fazendo uma série de pegadinhas para experimentar na prática o que se diz. Na fase de entrevista o número de pessoas boas, honestas e adeptas dos bons costumes beirava os 100%, mas quando o teste consistia em situações reais a maioria escorregava.

As redes sociais hoje refletem muito dos testes de honestidade do programa. por trás da tela todo mundo é gente de dar orgulho e inveja, seres humanos exemplares que não toleram quaisquer desvios de conduta, seja lá de quem for. Talvez se o nazareno andasse por aqui, repetisse muito a famosa frase que salvou a mulher adultera do apedrejamento: "Aquele que não tiver pecado que atire a primeira pedra".

Entramos no cristianismo porque a situação atual de nossa sociedade virtual lembra muito uma outra fase negra das relações humanas promovida pela santa madre igreja, a chamada santa inquisição. Num tempo em que igreja e estado se confundiam, clérigos e apaniguados apontavam seus dedos para as pessoas que se desviavam da conduta moral exigida e lhes punia com castigos físicos, sexuais, financeiros e até morte pelos meios mais cruéis que se possa imaginar, como queimar na fogueira ou pendurar por cordas de cabeça para baixo em pontes para morrer lentamente.

Quando encontravam um desvio alheio, por menor que fosse, julgavam e condenavam, quando não encontravam mas a pessoa era "non grata" acusavam de bruxaria. O mundo seria um lugar melhor hoje se o discurso da igreja fosse sincero e verdadeiro, mas os mesmos promotores da moral que julgavam e condenavam seletivamente ou, por vezes, quase que aleatoriamente cometiam  as piores barbaridades que o ser humano já foi capaz de engendrar. E o mais curioso é que o cara em cujo nome cometiam tudo isto deixou um discurso bem diverso, de paz, amor e perdão, inclusive exortando seus seguidores a não julgar.

As redes sociais no Brasil tem se prestado cada vez mais a disseminar o discurso de ódio seletivo distribuído aleatoriamente. Parece contraditório mas não é: É seletivo porque não se aplica a casos similares e piores de acordo com os interesses do inquisidor e aleatório porque atinge a qualquer um que se deixe fisgar, destruindo reputações e muitas vezes vidas.

O mais preocupante de tudo isto é que a imprensa tem vestido a camisa e impulsionado os resultados nefastos da santa inquisição virtual, a trinca hipocrisia-rede social -imprensa é implacável e imbatível.

Nos anos 90, impulsionada pela fofoca, a imprensa sozinha devastou uma família, uma empresa e muitas vidas no caso que ficou conhecido como "Escola base", mas o que deveria expurgar os erros da comunicação não serviu de lição e é curioso ver como a mesma imprensa que luta contra as chamadas "fake news" fomenta o linchamento virtual sem provas e muito pior: sem sequer motivos sólidos e robustos.

Alguns exemplos recentes do quão perigoso é o comportamento de manada a fim de apontar e corrigir as falhas alheias baseado tão somente em achismos e suposições:

No litoral de SP uma dona de casa foi literalmente linchada até a morte depois que ganhou repercussão nas redes sociais a suspeita infundada de crime, quando uma página pretensamente noticiosa divulgou um retrato falado de uma suposta raptora de crianças para magia negra.

No litoral do RJ vendedores ambulantes de livros foram cercados e agredidos pela multidão após uma foto do carro que ocupavam viralizar nas redes sociais sob acusação de rapto de crianças para tráfico de órgãos.

O prestigioso jornalista William Waack foi sumariamente demitido da rede Globo depois de um vídeo onde fazia uma piada de péssimo gosto em off vazar indevidamente.

Um grupo de brasileiros que foi filmado em atitude nada louvável durante a copa do mundo está tendo suas vidas devastadas não só nas redes sociais, mas alguns perderam o emprego e um policial de Santa Catarina corre até risco de prisão e demissão por conta da brincadeira nada lisonjeira em que foram flagrados.

Não se trata aqui de querer tornar aceitáveis atitudes erradas ou criminosas ou de se pretender cercear o direito de cada um se indignar e se manifestar na internet sobre o que lhe cause incomodo, apenas alertamos que vivemos numa democracia com ordenamento jurídico a plenos pulmões e seria salutar fazer questionamentos quanto ao alcance do que se vai dar publicidade e a justiça do resultado disto, levando em consideração quais as chances de você ou alguém muito próximo cometer algo pretensamente inocente que enseje igual tratamento por terceiros. É preciso separar inequivocamente o que é crime, o que é  reprovável moral ou socialmente, o que é politicamente incorreto, o que é inconveniente, o que é afrontoso, o que é discriminatório e aí se exigir punição compatível, porque afinal de contas ainda somos todos humanos, passiveis das coisas mais sujas, equivocadas, cruéis e inconvenientes e os conselhos de Jesus não andam tão em voga até hoje por mero acaso. Antes de tirar a trave do olho do teu irmão, procura tirar a do teu.

Uma sociedade avançada e moderna cobra sim seus indivíduos, protesta e se manifesta sim, mas faz isto com a alma leve de quem superou a hipocrisia.




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Assinatura BBC topo (Foto: BBC)


Original da BBC News
"Diga a eles que não podem se abraçar!" Foi essa ordem, segundo Antar Davidson, que fez com que ele pedisse demissão na semana passada do emprego em um dos centros para crianças migrantes na fronteira entre México e Estados Unidos.Em uma das unidades, 1.100 imigrantes aguardam em três alas para serem processados: crianças desacompanhadas, adultos sozinhos e pais com seus filhos (Foto: ALFÂNDEGA E PROTEÇÃO DE FRONTEIRAS DOS EUA)
"Como ser humano, não posso fazer isso", respondeu o filho de brasileiros nascido na Califórnia, que trabalhava desde fevereiro em um dos abrigos administrados pela empresa Southwest Key em Tucson, no Arizona.
Davidson falou à BBC News sobre seu último dia de trabalho no abrigo, que disse guardar em detalhes na memória. Os irmãos que emocionaram Davidson, disse, eram brasileiros e tinham 16, 10 e 8 anos. Haviam sido separados da mãe no dia anterior e estavam sendo informados de que teriam que ficar em alas diferentes, por causa da idade e do gênero.
O relato dele vem à tona em meio à polêmica causada pela política de "tolerância zero" imposta no início de maio pelo governo Donald Trump contra imigrantes ilegais. Mais de 2,3 mil crianças que ingressaram nos Estados Unidos de forma irregular foram separadas dos pais entre 5 de maio e 9 de junho.
Segundo Davidson, os três irmãos brasileiros estavam desesperados com a ideia de mais uma separação. Eles se abraçavam e choravam copiosamente, enquanto os funcionários do abrigo gritavam ordens em espanhol, idioma que as crianças não entendiam bem.Na quarta, o presidente decidiu assinar um decreto que põe fim às separações na fronteira. Mas as famílias inteiras serão detidas se entrarem de forma irregular no país.
Separação traumática
"O rapaz de 16 anos ia ficar junto com os adolescentes. O menino de oito ficaria com as crianças mais novas. E a menina de 10 anos teria que ficar com as meninas da idade dela", contou.
Foi aí que Davidson teria sido acionado, por falar português.
"Eles me chamaram para reforçar a política de 'toque zero' do abrigo. Tinha que traduzir para as crianças que elas não podiam se abraçar", contou. Ele teria explicado, então, que o abrigo tinha como política não permitir que as crianças se encostassem.
"Quando eu cheguei ao local, vi essas crianças agarradas umas nas outras, chorando desesperadamente. Então eu falei ao mais velho: 'Eu sei que a situação é difícil, mas é importante que você seja forte pelos seus irmãos mais novos'", relatou.
A resposta do jovem de 16 anos o teria deixado sem palavras.
"Ele me olhou com lágrimas nos olhos e disse: 'Como que eu posso ser forte numa situação como essa? Eu não sei onde a minha mãe está. Eu não sei o que fazer pela minha irmãzinha. Eu não sei quanto tempo vamos ficar aqui'."
O filho de brasileiros disse que simplesmente baixou a cabeça, sem saber como responder. Foi nesse momento em que a chefe dele teria chegado gritando, em espanhol: "Diga a eles que não podem se abraçar! Diga que eles não podem se abraçar!"
"Eu a olhei nos olhos e respondi que sentia muito, mas não poderia fazer o que ela me pedia. Se eu ficasse lá (no emprego), continuariam a me pedir para fazer coisas que são imorais segundo os padrões globais, não apenas meus", concluiu.
A diretora de comunicação do Southwest Key, Cindy Casares, defendeu a atuação dos profissionais do abrigo. "O Southwest Key tem profissionais experientes e treinados para dar comodidade e orientação, e para ajudar os menores a se sentirem mais confortáveis. Abraçar é permitido", afirmou em entrevista à CNN.
Aumento no número de crianças abrigadas
Em seu relato à BBC News, Antar Davidson afirmou que o abrigo em que trabalhava costumava ter cerca de cinco crianças ao mesmo tempo.
"Essas crianças eram instruídas que a separação era provisória, e chegavam lá mais calmas e preparadas." Após a política de "tolerância zero" ser adotada, o número subiu para 70, segundo ele.
"Notamos um aumento de crianças que não estavam preparadas para isso, que não tinham deixado suas casas sozinhas e que haviam sido separadas dos pais na fronteira e não tinham a menor ideia de onde estavam", afirmou.
"Se crianças têm medo do escuro, imagina a sensação de ser separada dos pais num país novo, sem saber onde a família está. E são crianças de 5, 6, 7, 8 anos."
A Câmara dos Representantes dos EUA deve começar a discutir nesta quinta uma série de reformas na política de imigração do país.
As propostas devem regulamentar a forma como famílias com crianças devem ser tratadas na fronteira. Mas também há artigos que restringem a imigração legal ao país e que instituem um fundo para a construção de um muro na fronteira entre México e Estados Unidos.
Assinatura BBC footer (Foto: BBC)
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Atenção: Este artigo não é recomendado para menores de 16 anos!
Nas décadas finais do século XVIII um coronel americano chamado Charles Linch enfatizou uma prática: arrebatar pessoas a quem imputaram algo supostamente criminoso ou maléfico, geralmente negros mas não só, para, em praça pública, espancar, mutilar, torturar, queimar e - por óbvio - matar. O povo apoiava tanto e ele fez isto tão bem que a prática se consolidou com o nome de "Linchamento".

Segundo a Wikipédia, linchamento é assim definido: Linchamento ou linchagem é o assassinato de uma ou mais pessoas cometido por uma multidão com o objetivo de punir um suposto transgressor ou para intimidar, controlar ou manipular um setor específico da população. O fenômeno está relacionado a outros meios de controle social, mas tem a característica de se tornar um tipo de espetáculo público


E se caracteriza, via de regra, pelo comportamento de manada, onde até quem não concorda acaba apoiando para não contrariar a maioria.  a BBC define assim o chamado comportamento de manada:
O conceito faz referência ao comportamento de animais que se juntam para se proteger ou fugir de um predador. Aplicado aos seres humanos, refere-se à tendência das pessoas de seguirem um grande influenciador ou mesmo um determinado grupo, sem que a decisão passe, necessariamente, por uma reflexão individual

Um grupo patético de brasileiros bêbados que acompanha a copa do mundo na Russia é protagonista de um vídeo ridículo que viralizou nas redes sociais. No tal vídeo, rodeiam uma estrangeira e cantam como se fosse grito de torcida, mas fazem alusão a cor da genitália das mulheres europeias. alguns vêem a moça constrangida, um dos autores alega que havia um tradutor e que ela tinha ciência do que se passava, estando bem contente em participar. 

Nas redes sociais e na imprensa brasileira o grupo foi demonizado. Entre os identificados estão um policial catarinense que ganhou notoriedade na imprensa combatendo assédio sexual a universitárias, um engenheiro do Piauí que é marido e pai (nem sei porque a imprensa associou uma prisão por suposto envolvimento em corrupção com o caso) e um politico pernambucano, ex secretário de turismo de uma cidade por lá. Depois do óbvio constrangimento, além de tentar se desculpar, o grupo acusa o golpe: estão devastando suas vidas.

Pelo que se vê na imprensa o grupo deverá responder criminalmente por lá e os órgãos aos quais estão vinculados de alguma maneira aqui no Brasil (notadamente OAB e Policia Militar de SC) repudiaram a ação e abriram apuração para eventuais penalidades. Tudo isto, bem como o constrangimento são esperados e muito mais que justo, destruir a vida dos rapazes é um passo bem adiante.

Para ilustrar vamos citar aqui duas situações corriqueiras por estas bandas: 

1)Na grande SP (provavelmente em muitos outros lugares também) ocorrem semanalmente centenas de bailes funk. Nestes locais garotas de 12, 13 anos (quando não menos) são submetidas a horrores, como ganhar uma garrafa de vodka absolut a que fizer sexo (oral ou com penetração) com mais homens e acesso liberado (quase forçado) a alcool e drogas. Sem falar que as letras das ditas "músicas" fazem o corinho da "boceta rosa" parecer "nana nenem".

2)O turismo sexual pedófilo conta com uma grande e estruturada rede internacional e movimenta muitos dólares, sobretudo no nordeste. Todo dia chega gente de toda parte do mundo para praticar sexo com crianças e adolescentes brasileiras sem sofrer incomodo.

Tudo isto é registrado na imprensa fartamente (pode pesquisar ai no google) mas não provoca indignação nas pessoas, nas redes sociais e nem ganha destaque no jornal nacional. Para quem está preocupado com a imagem do país lá fora, estas deveriam ser boas causas, bem como o que fazemos cotidianamente politica e economicamente por aqui, as falcatruas, corrupções (grandes e politicas ou pequenas e diárias). 

Quando eu me ponho a pensar sobre tudo isto, principalmente a facilidade que temos em cometer o linchamento virtual, me vem a cabeça a importância que tem a "boceta rosa das europeias" mediante a "boceta preta e pobre" das brasileiras. Questiono também a ampla capacidade brasileira de acusar, apontar o dedo e massacrar o outro em contraste com o altruísmo e a preocupação com o bem estar do próximo ou o bem comum. Se eu não estiver muito enganado, existe algo aí sobre o tal complexo de vira-latas. 


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Camiões, A pouco e pouco, pesados - as peculiaridades da lingua pátria em seu estado orginal.

Fuzileiros navais romperam e desfizeram esta quinta-feira o cerco montado há 11 dias por camionistas em greve ao porto de Santos, no litoral de São Paulo, o maior do Brasil. 
Os camionistas, com centenas de camiões a bloquear todos os acessos, não permitiam desde o início da paralisação nem entradas nem saídas de pesados com mercadorias daquele terminal portuário. 
Os militares, que chegaram por mar em dois navios de guerra, não precisaram usar a força para romper o bloqueio dos camionistas. Depois de uma tensa mas breve negociação com os líderes do protesto, blindados da Marinha tomaram posições estratégicas nos acessos, enquanto os camionistas retiravam os seus veículos para as laterais das vias. 
Os primeiros camiões com mercadorias que saíram do porto de Santos esta quinta-feira, e que seguiram viagem para os seus destinos protegidos por escoltas de militares do Exército, da Força Aérea e pela polícia, foram fortemente hostilizados com vaias e ofensas aos motoristas, mas não houve agressões nem apedrejamentos aos veículos. 
A pouco e pouco, outros camiões formaram novos comboios e começaram a escoar as mais de 250 mil toneladas de mercadorias originárias de várias partes do mundo que tinham chegado em navios mas ficaram retidas no porto por causa da greve. 
De acordo com a Polícia Rodoviária Federal, a concentração de camionistas junto ao porto de Santos era esta quinta-feira à tarde o último ponto de protesto em todo o Brasil. Pela manhã, havia outros protestos de camionistas em pelo menos cinco dos 27 estados do país, mas foram desfeitos pelos próprios motoristas a pouco e pouco. 
No início da greve, dia 21 passado, o Brasil chegou a ter estradas bloqueadas em 1200 locais, e na noite de quarta-feira ainda eram 197. Mas todos foram desmobilizados após acordo feito entre as várias lideranças de camionistas com o governo central e com governos regionais, à exceção de Santos, onde o grupo de profissionais do volante decidiu em assembleia na noite de quarta continuar a paralisação, cada vez mais enfraquecida. Com o desbloqueio de estradas por todo o país, começou a diminuir a escassez de combustíveis, alimentos, medicamentos e outros produtos de primeira necessidade, embora se estime que ainda serão necessários vários dias para a normalização do abastecimento em todo o país. 
Mas alguns hospitais que tinham cancelado cirurgias e atendimentos não-urgentes por falta de medicamentos e produtos médicos voltaram a atender a população, os supermercados e feiras de rua já não estão tão vazios, os transportes, embora ainda reduzidos, caminham para a normalidade, e as filas junto aos postos de combustíveis, quilométricas até terça-feira, já são visivelmente menores. Os camionistas deflagraram a greve em protesto contra a política do governo Temer de aumentar diariamente o preço dos combustíveis e outros encargos que os sufocam financeiramente. Depois de demorar para perceber a gravidade e a dimensão da greve, Michel Temer acabou por ceder a todas as exigências, editando decretos extraordinários que garantem a redução do preço do diesel, a isenção parcial de portagens quando o camião circular vazio, e um preço mínimo para cada frete contratado.

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A repórter da Globo News entrevista o caminhoneiro:
- Nós só voltamos ao trabalho quando o governo publicar no diario oficial as medidas que atendem as nossas reivindicações!
-Mas... já foi publicado!
(rápido cri-cri-cri)
-Então alguém vai ter que trazer o papel aqui pra gente ver!
A cena é um bom retrato do movimento de paralisação.
imagem da internet

As ditas reivindicações são mais que justas, o movimento e o que se tornou, não é. Os caminhoneiros autônomos somam pouco mais de 45% dos transportadores do país e sofrem por ter menos poder de barganha que as empresas, seja na hora de comprar insumos e fazer manutenção, seja na hora de negociar o frete. É evidente que faltou sensibilidade, inclusive politica, no governo para enxergar e amenizar a situação.

A politica de preços da Petrobrás é um ótimo negocio para os acionistas da empresa, mas para o país gera insegurança para quem depende do combustível como item essencial para tocar o negocio ou trabalho e desfalque no orçamento de quem depende do transporte em alguma medida. Comparar o preço com os países desenvolvidos é desonesto, porque se considerar o nível de salario e emprego e outros indicadores a coisa muda radicalmente de figura. Para o Brasil o combustível pesa bem mais no fim do mês, até para quem não tem carro e não usa transporte público, já que quase tudo o que se consome chega por transporte rodoviário.

Este governo é o que nos idos tempos chamavam de  "malandro agulha" (vale uma pesquisa no google sobre a letra da música e o sentido do termo nos aos 80), se puder ele arocha, se alguém gritar mais alto ou mostrar o bigode mais grosso ele afina e recua. O que importa para Temer é não ter criticas aos atos de seu governo publicadas na imprensa. Na greve o governo se enrolou todo, o país amarga tantos bilhões em prejuízo que eventuais concessões para evitar a situação atual pareceriam trocados e a Petrobrás voltou as cordas do ringue no mercado, dada a insegurança quanto ao futuro de sua gestão. 

Depois do leite derramado faltou ao governo informação, inteligência e pulso. O movimento nasceu a reboque do whatsapp e cresceu com interesses tão difusos e contraditórios quanto todas as coisas amplamente divulgadas pelo aplicativo. Tem gente querendo aumentar o frete e diminuir o diesel ou o pedágio, mas há também muitos interesses regionais que são fortes em determinados lugares sem fazer sentido em outros, como tem também nego querendo a volta da ditadura, de Lula ou só o caos pelo caos (aventa-se a infiltração de facções criminosas no movimento). Como o barulho foi grande e a população apoiou o protesto (aqui vale a nota: apoiou por achar que a greve é contra o aumento dos combustíveis, outro grande engano ou engodo ja que a categoria luta por suas demandas exclusivamente, inclusive pelo aumento do frete, o que geraria aumento de preços generalizados), o governo não teve habilidade para entender e debelar o movimento, virou oba-oba e ninguém sabe mensurar o tamanho do prejuízo que sobrará para todo o país quando isto acabar.

Até aqui houveram dois acordos com dois grupos de representantes que não tem ascendência ampla sobre a categoria, denuncias de grupos alheios ao movimento agredindo e obrigando caminhoneiros a continuarem parados, muita desinformação, desarticulação e 1/3 do mês perdido para muita gente. Daqui uns dias vem a ressaca e muitas cabeças -que hoje estão eufóricas- vão doer.
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Outro dia ouvi uma história interessante. Segundo o relato um casal acordou "soando o gongo" num determinado fim de semana. A mulher reclamando que o marido tinha se tornado um imprestável e elencando com enfase, pompa e circunstância todos os defeitos que ele tinha, que ela julgava que ele tivesse e mais alguns que ela acabara de criar, enquanto o homem atestava em alto e bom som o quanto ela era dada a infidelidade, a inverdade, a vaidade, a vulgaridade, bem como toda a futilidade, arrogância e frieza que vislumbrava nela. E tudo isto dito simultaneamente, com o linguajar próprio de quem tem a absoluta convicção da  inconsequência de seus atos e sua improvável punibilidade, trocando em miúdos: palavras que fazem Derci Gonçalves se remexer no túmulo.

A manhã caminhava para um golpe baixo ou até um eventual knock out quando tocou a campainha, pareceu o gongo anunciando o fim do round. Era o mala do vizinho em frente, seu Astolfo, que foi recebido assim:
-Bom dia seu Astolfo! Como vai a Dona Genoveva? e os Meninos? Quer tomar uma chicara de café com a gente? acabei de coar...
-Brigado, essa menina, quero incomodar não. Gegê tá lá reclamando da artrose e os menino tão bem graças a Deus. o vizinho ta aí?
-Tá sim, só um minutinho que vou chamar. Tem certeza que não quer um café?
A mulher encostou a portinhola da porta e se dirigiu ao marido:
-É pra você, seu ordinário! Este filho da puta ai da frente!
O homem se apressou a atender o vizinho:
-E aê parmerense! Tudo joinha? que que manda?
-Ô vizinho, desculpa ai a hora, é que tava lavando o carro e o quintal e a lavadora de pressão de pau. será que tu pode me emprestar a tua uns minutinhos?
-Claro vizinho! Pera aí que já vou pegar. fica tranquilo que só vou usar lá pelas 11 da manhã, viu?

Depois de tudo resolvido voltou pro jornal reclamando:
-Viado! ainda vem pedir minha maquina para atazanar uma hora destas da manhã... cara de pau, viu?

Ao menos aparentemente, este é um dos maiores mistérios da humanidade:  Porque diabos o cara trata bem o vizinho mala, o guarda que rebocou seu carro e o cliente que pediu mais uma vez para trocar a mercadoria; porque a mulher trata com cordialidade a chefe que lhe deu mais uma bronca .sem razão, a gerente da loja que atrasou a entrega daquele produto bem naquela data e o mala do vizinho e sobretudo porque seres tão gentis e cordatos, que um dia juraram amor eterno, se tratam desta maneira?

Obviamente o problema está na porta. mais precisamente na porta cuja chave se compartilha. Quando o camarada entrega a cópia da chave, ele está entregando um amuleto que abre um portal para tudo de mais obscuro e sombrio que o casal tem. só pode ser! Porque todas as regras para a vida em sociedade que os homens aprenderam durante séculos e séculos de evolução desaparecem naquele ato, o compartilhamento da chave!

O feitiço costuma vir com um antídoto poderoso: A argumentação Ad Hominem. geralmente em três modalidades, a de terceirização, a de vitimização e a de impulso, funciona assim:

Terceirização: "Desculpa amor, tô com muitos problemas no trabalho, no banco, na escolinha do professor Raimundo e aí acabei apagando a bituca de cigarro no seu braço.

Vitimização: "Mas você não deixou eu ver aquela parte do programa, falou um oi muito cheio de graça para aquela pessoa, não elogiou meu corte de cabelo e então eu quebrei três pratos, dois copos, a sua reputação e de sua família inteira em quatro gerações!"

Impulso: "Eu ceguei de ódio e quando vi já tinha falado ou te dado a bordoada, mas eu não queria..."

E como todo bom jogo tem ainda um Cheat: Malandramente deixar o tempo passar até que o outro esqueça tudo ou criar uma situação urgente que aspire cooperação mútua e máxima, até que tudo volte a normalidade cíclica.

Uma coisa que alguém poderia considerar é que quando esta é a intenção, não dá pra bater no outro sem querer, não dá pra matar o outro sem querer, não dá pra expor, humilhar, diminuir ou assediar o outro sem querer, porra!

Sem querer você derruba o café, bate o carro e erra o destinatário do e-mail. Quando você delibera fazer mal a alguém, seletiva e especificamente, seja com palavras ou atos, você está descartando esta pessoa do seu convívio ou contando muito com a abnegação ou dependência dela para impor assédio e dominação.

Se o compartilhamento da chave é o que define o tratamento que você dá as pessoas, provavelmente você é a porta.



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Djanira era mulher sabida. A TV só mostrava o que interessava, mas as redes sociais mostravam tudo. tu-do! nenhuma máscara resistia a verdade do povo. Acordava todo dia as 5h da manhã, nem precisava de despertador, o assovio do whats começava cedo. "Vendedora das boa",  estava em 18 grupos e conhecia todos pessoalmente, era pra mais de 400 pessoas!

Comentava sobre qualquer assunto com desenvoltura.
-Viu só? aquela vereadora lá, a sapata! era metida com o crime organizado! tava na cara, né? onde que gente de bem toma tanto tiro assim? Uma juiza de direito foi quem falou, depois a TV caiu em cima da moça. quem fala verdade merece castigo não!
E aquele lá que dizem que é herói lá em São Paulo? Menina! tem três tatuage! três! daquelas de matar policia! E as foto com sacola de dinheiro? cumé que é sem teto e tem sacola de dinheiro? usava nome falso e tudo! Só besta mermo pra acreditar no jornal! onde já se viu?

Djanira acordou animada aquele sábado. era semana de pagamento e o zap tava que tava, nem se tocou que os assovios estavam um pouco demais para o horario. tomou um belo banho cantando Alcione, coou o café, "já vou meus amores! calma que hoje Nirinha tá que tá" disse enquanto se caminhava para o celular que carregava no rack da sala.

Nem se aproximou e uma pedra quebrou o vidro da janela. ficou indignada: "tenho que mudar dessa comunidade! essa peste desse baile funk num deixa ninguém sossegado!".

Abriu a porta com um monte de palavrão na ponta da lingua, o sol saía preguiçoso, mal colocou as mãos na cintura e recebeu a primeira paulada na cabeça, as vistas escureceram e a turba raivosa não teve dó.

Se desse tempo talvez dissesse: "Que isso minha gente? sou eu, Nirinha das revistas!"

Mas sequer pode explicar que aquele menino sentado em seu colo no shopping era seu sobrinho, Gladstone, lá de Seropédica, bem mais escurinho que aquele desaparecido lá em Serra, no Espirito Santo. O que ela gostava de vender mesmo era perfume, utilidades domesticas, lingerie, estas coisas que todo mundo precisa e gosta.

Dona Assunta que vende tapioca lá na praça Seca não acreditaria nela:
-Visse esse menino? nem na vendedora de tapué dá pra acreditá mais! era tudo fachada, visse? roubava as criança pra vender os orgão pro estrangeiro! tá tudo no zap! crê em Deus pai!
Joãozinho sentou de fronte a proa, parecia querer alcançar a água com seus pés chatos e grandes, olhava para quele mundo d'agua como se passasse um bom filme no belo horizonte. Grilo andava de um lado para o outro inquieto, vez em quando tirava o chapéu surrado e passava a mão na rala cabeleira que lhe rendera mais uma alcunha, a de "pouca-telha".  As vezes reclamava: "povo chei de resenha. chassi de grilo, grilo falante... agora essa. mingula!", mas geralmente não ligava.

Um casal de gaivotas pousou no mastro, como que para observar aquilo. O Gibraltar estava estranhamente silencioso naquela tarde ensolarada na baía. O batismo do saveiro saiu da cachola de Grilo, que bradava orgulhoso: "È pequeno, pequeno, mas importante. e disputado!" e caía na gargalhada entre um e outro gole de aguardente, "de alambique, que num tem química ruim".

O Grilo, apesar da demora (aquele foi de longe seu recorde mundial de silencio, que era coisa que ele não conhecia ou não presava, nem quando estava dormindo), mostrou sua faceta falante:
- Guento mair não Jão! Guento não! É cada uma que a vida apronta cum a gente! Tá retado, véi! tá barril, minha péda! Por Bom Jesus da Lapa que pra mim deu! ta uvino? tu ta uvno Jãozim? pra mim deu barão! sartei! vazei, eu num to guentano, guento mair não, guento não!

Joãozinho, sem desviar o olhar fixo do horizonte, quase como sem demonstrar interesse, respondeu, meio que em pensamento, meio que balbuciando:

-Guenta sim Grilo. Guenta sim! amanhã a labuta é outra... nossa vida é só essa quiçaça aí mermo.

Grilo tirou mais uma vez o chapeu puído, maneou a cabeça demonstrando não ter entendido "uma grama" e saiu resmungando:
-Oche, oche, oche! tá ficando é broco...

Soluço
Lembro
Sorrio
O pensamento zoa

Vejo
Penso
Choro
Que a realidade doa

Preocupo
Corro
Faço
Uma tarefa atoa

Sinto
desejo
Imagino
Uma cousa boa

Preparo
Espero
Cheiro
O café que coa

Acendo
Aspiro
Olho
A fumaça voa

Angustio
Aflijo
Evito
Que a unha roa

Acordo
Finjo
Nego
Que a alma moa






Se existe algo mais insuportável que o politicamente correto, isto é o feminismo politicamente correto. que pode piorar se partir de alguém com dificuldade de interpretação. O ator Caio Blat postou a foto abaixo em seu instagram, na legenda replicou a frase "Bruta não, mal domada".  


Foto da internet
Uma atriz ficou indignada e fez um escarceú na rede social, aliás um não: pelo menos dois! Na visão da moça a cena indica que mulheres não podem ser brutas e se forem devem ser domadas por homens, como se fossem umas potrancas ou qualquer outro animal. a senhora alega ainda que trata-se de legitimar por meio de piadas as atitudes machistas e até corroborar as violências contra as mulheres.
Eu fico cá matutando com meus botões, respiro fundo e então penso que fosse a cena um enunciado de redação da Fuvest ou do Enem a indignada interpretadora correria sério risco de ser reprovada.

Eu não me canso de olhar a cena buscando resquícios, que sejam, do ranço machista que muitas vezes está incutido no circuito sertanejo, mas eu não consigo vislumbrar nada parecido.
O que eu vejo, para começar e usar termo caro as feministas, é uma mulher empoderada, fazendo do peão como gato e sapato. Uma leitura possível é que a decidida moçoila laçou sua caça e exige ser domada. Não sendo esta a leitura, só podemos continuar a desvendar a cena como uma metáfora ao jogo do amor, onde as "domas" são bem outras e pelo "andar da carruagem" tão somente um capricho da amazona que o pobre peão não tem como negar  
Seja como for, não me parece que alguém forçou ou mesmo influenciou a modelo ai da foto  a usar tal "provocação", não passando de uma tirada espontânea, que, no máximo, ensejaria uma reprovação por seu teor hipoteticamente inadequado.
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Sempre falei aqui de Rogerio Ceni como um jogador medíocre mas um ser humano grandioso. Vejo o ex goleiro são-paulino como alguém que daria certo na vida de qualquer jeito, se resolvesse ser um criminoso ou um empresário, igualmente ocuparia a primeira pagina do jornal. Dizem que é egocêntrico ao extremo - e eu tenho esta mesma impressão sem ter a certeza de que isto seja exatamente um defeito. O que é cero é que Ceni desperta paixões por onde passa. Ninguém fica indiferente: ou é amado ou odiado. Após o retumbante fracasso a frente do tricolor paulista (muito mais por culpa dos dirigentes que dele, diga-se!) o agora treinador foi parar num clube bem menos importante, de uma liga bem menos importante no cenário nacional. Sua chegada na verdade deu ao campeonato cearense uma visibilidade que não alcançava a nível nacional. Envolveu-se la em uma ou duas polemicas, por que senão não seria Rogerio Ceni e vai tocando a vida. Ser humano grandioso implica aspectos gerais da vida, do lidar com os outros e com as situações. O treinador ficou muito P da vida com um jogador que escorregou duas vezes em jogo importante e gerou contra-ataque do adversário. O jogador recém contratado por indicação do mesmo usava chuteiras inadequadas para campo molhado. Ao dar uma dura daquelas, e ninguém deve digerir muito bem uma dura vinda de Ceni, o menino Wallace, um garoto de 19 anos que saiu de casa aos 12 atrás do sonho da bola, se justificou: é que eu só tenho esta, comprei no cartão da minha tia em três vezes! Rogerio se comoveu, a bronca acabou e se não fosse Osvaldo (igualmente ex jogador do SPFC) providenciar antes, Rogerio teria doado a chuteira para o menino, a história ganhou os jornais e Wallace uma fama repentina, com a qual nem sabe lidar ainda. Isto ocorre todo dia na grande maioria dos times de futebol profissional país afora, foi preciso um grande, para mostrar a dura realidade.
O garoto Wallace com suas chuteiras escorregadias em foto da Folha de São Paulo

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