CQ? na net:

Este é o nosso mundo...

Argumentação falaciosa - Saiba identificar e refutar.

A internet está cheia de sabichões. Muitas vezes debates são prejudicados por que gente que se pretende inteligente contamina o bate-papo com falácias que acabam passando por verdades. Existem diversas fontes na internet que podem ser úteis para ajudar a identificar e refutar a argumentação falaciosa, postamos aqui um compendio publicado originalmente pelo Papo de Homem que vale a pena conferir.




1. Espantalho

Você desvirtuou um argumento para torná-lo mais fácil de atacar.
Ao exagerar, desvirtuar ou simplesmente inventar um argumento de alguém, fica bem mais fácil apresentar a sua posição como razoável ou válida. Este tipo de desonestidade não apenas prejudica o discurso racional, como também prejudica a própria posição de alguém que o usa, por colocar em questão a sua credibilidade – se você está disposto a desvirtuar negativamente o argumento do seu oponente, será que você também não desvirtuaria os seus positivamente?
Exemplo: Depois de Felipe dizer que o governo deveria investir mais em saúde e educação, Jader respondeu dizendo estar surpreso que Felipe odeie tanto o Brasil, a ponto de querer deixar o nosso país completamente indefeso, sem verba militar.
***

2. Causa Falsa

Você supôs que uma relação real ou percebida entre duas coisas significa que uma é a causa da outra.
Uma variação dessa falácia é a "cum hoc ergo propter hoc" (com isto, logo por causa disto), na qual alguém supõe que, pelo fato de duas coisas estarem acontecendo juntas, uma é a causa da outra. Este erro consiste em ignorar a possibilidade de que possa haver uma causa em comum para ambas, ou, como mostrado no exemplo abaixo, que as duas coisas em questão não tenham absolutamente nenhuma relação de causa, e a sua aparente conexão é só uma coincidência.
Outra variação comum é a falácia "post hoc ergo propter hoc" (depois disto, logo por causa disto), na qual uma relação causal é presumida porque uma coisa acontece antes de outra coisa, logo, a segunda coisa só pode ter sido causada pela primeira.
Exemplo: Apontando para um gráfico metido a besta, Rogério mostra como as temperaturas têm aumentado nos últimos séculos, ao mesmo tempo em que o número de piratas têm caído; sendo assim, obviamente, os piratas é que ajudavam a resfriar as águas, e o aquecimento global é uma farsa.
***

3. Apelo à emoção

Você tentou manipular uma resposta emocional no lugar de um argumento válido ou convincente.
Apelos à emoção são relacionados a medo, inveja, ódio, pena, orgulho, entre outros.
É importante dizer que às vezes um argumento logicamente coerente pode inspirar emoção, ou ter um aspecto emocional, mas o problema e a falácia acontecem quando a emoção é usada no lugar de um argumento lógico. Ou, para tornar menos claro o fato de que não existe nenhuma relação racional e convincente para justificar a posição de alguém.
Exceto os sociopatas, todos são afetados pela emoção, por isso apelos à emoção são uma tática de argumentação muito comum e eficiente. Mas eles são falhos e desonestos, com tendência a deixar o oponente de alguém justificadamente emocional.
Exemplo: Lucas não queria comer o seu prato de cérebro de ovelha com fígado picado, mas seu pai o lembrou de todas as crianças famintas de algum país de terceiro mundo que não tinham a sorte de ter qualquer tipo de comida.
***

4. A falácia da falácia

Supor que uma afirmação está necessariamente errada só porque ela não foi bem construída ou porque uma falácia foi cometida.
Há poucas coisas mais frustrantes do que ver alguém argumentar de maneira fraca alguma posição. Na maioria dos casos um debate é vencido pelo melhor debatedor, e não necessariamente pela pessoa com a posição mais correta. Se formos ser honestos e racionais, temos que ter em mente que só porque alguém cometeu um erro na sua defesa do argumento, isso não necessariamente significa que o argumento em si esteja errado.
Exemplo: Percebendo que Amanda cometeu uma falácia ao defender que devemos comer alimentos saudáveis porque eles são populares, Alice resolveu ignorar a posição de Amanda por completo e comer Whopper Duplo com Queijo no Burger King todos os dias.
***

5. Ladeira Escorregadia

Você faz parecer que o fato de permitirmos que aconteça A fará com que aconteça Z, e por isso não podemos permitir A.
O problema com essa linha de raciocínio é que ela evita que se lide com a questão real, jogando a atenção em hipóteses extremas. Como não se apresenta nenhuma prova de que tais hipóteses extremas realmente ocorrerão, esta falácia toma a forma de um apelo à emoção do medo.
Exemplo: Armando afirma que, se permitirmos casamentos entre pessoas do mesmo sexo, logo veremos pessoas se casando com seus pais, seus carros e seus macacos Bonobo de estimação.
Exemplo 2: a explicação feita após o terceiro subtítulo - "O voto divergente do ministro Ricardo Lewandowski e a ladeira escorregadia" - deste texto sobre aborto. Vale a leitura.
***

6. Ad hominem

Você ataca o caráter ou traços pessoais do seu oponente em vez de refutar o argumento dele.
Ataques ad hominem podem assumir a forma de golpes pessoais e diretos contra alguém, ou mais sutilmente jogar dúvida no seu caráter ou atributos pessoais. O resultado desejado de um ataque ad hominem é prejudicar o oponente de alguém sem precisar de fato se engajar no argumento dele ou apresentar um próprio.
Exemplo: Depois de Salma apresentar de maneira eloquente e convincente uma possível reforma do sistema de cobrança do condomínio, Samuel pergunta aos presentes se eles deveriam mesmo acreditar em qualquer coisa dita por uma mulher que não é casada, já foi presa e, pra ser sincero, tem um cheiro meio estranho.
***

7. Tu quoque (você também)

Você evitar ter que se engajar em críticas virando as próprias críticas contra o acusador – você responde críticas com críticas.
Esta falácia, cuja tradução do latim é literalmente “você também”, é geralmente empregada como um mecanismo de defesa, por tirar a atenção do acusado ter que se defender e mudar o foco para o acusador.
A implicação é que, se o oponente de alguém também faz aquilo de que acusa o outro, ele é um hipócrita. Independente da veracidade da contra-acusação, o fato é que esta é efetivamente uma tática para evitar ter que reconhecer e responder a uma acusação contida em um argumento – ao devolver ao acusador, o acusado não precisa responder à acusação.
Exemplo: Nicole identificou que Ana cometeu uma falácia lógica, mas, em vez de retificar o seu argumento, Ana acusou Nicole de ter cometido uma falácia anteriormente no debate.
Exemplo 2: O político Aníbal Zé das Couves foi acusado pelo seu oponente de ter desviado dinheiro público na construção de um hospital. Aníbal não responde a acusação diretamente e devolve insinuando que seu oponente também já aprovou licitações irregulares em seu mandato.
***

8. Incredulidade pessoal

Você considera algo difícil de entender, ou não sabe como funciona, por isso você dá a entender que não seja verdade.
Assuntos complexos como evolução biológica através de seleção natural exigem alguma medida de entendimento sobre como elas funcionam antes que alguém possa entendê-los adequadamente; esta falácia é geralmente usada no lugar desse entendimento.
Exemplo: Henrique desenhou um peixe e um humano em um papel e, com desdém efusivo, perguntou a Ricardo se ele realmente pensava que nós somos babacas o bastante para acreditar que um peixe acabou evoluindo até a forma humana através de, sei lá, um monte de coisas aleatórias acontecendo com o passar dos tempos.
***

9. Alegação especial

Você altera as regras ou abre uma exceção quando sua afirmação é exposta como falsa.
Humanos são criaturas engraçadas, com uma aversão boba a estarem errados.
Em vez de aproveitar os benefícios de poder mudar de ideia graças a um novo entendimento, muitos inventarão modos de se agarrar a velhas crenças. Uma das maneiras mais comuns que as pessoas fazem isso é pós-racionalizar um motivo explicando o porque aquilo no qual elas acreditavam ser verdade deve continuar sendo verdade.
É geralmente bem fácil encontrar um motivo para acreditar em algo que nos favorece, e é necessária uma boa dose de integridade e honestidade genuína consigo mesmo para examinar nossas próprias crenças e motivações sem cair na armadilha da auto-justificação.
Exemplo: Eduardo afirma ser vidente, mas quando as suas “habilidades” foram testadas em condições científicas apropriadas, elas magicamente desapareceram. Ele explicou, então, que elas só funcionam para quem tem fé nelas.
***

10. Pergunta carregada

Você faz uma pergunta que tem uma afirmação embutida, de modo que ela não pode ser respondida sem uma certa admissão de culpa.
Falácias desse tipo são particularmente eficientes em descarrilar discussões racionais, graças à sua natureza inflamatória – o receptor da pergunta carregada é compelido a se justificar e pode parecer abalado ou na defensiva. Esta falácia não apenas é um apelo à emoção, mas também reformata a discussão de forma enganosa.
Exemplo: Graça e Helena estavam interessadas no mesmo homem. Um dia, enquanto ele estava sentado próximo suficiente a elas para ouvir, Graça pergunta em tom de acusação: “como anda a sua rehabilitação das drogas, Helena?”
***

11. Ônus da prova

Você espera que outra pessoa prove que você está errado, em vez de você mesmo provar que está certo.
O ônus (obrigação) da prova está sempre com quem faz uma afirmação, nunca com quem refuta a afirmação. A impossibilidade, ou falta de intenção, de provar errada uma afirmação não a torna válida, nem dá a ela nenhuma credibilidade.
No entanto, é importante estabelecer que nunca podemos ter certeza de qualquer coisa, portanto devemos valorizar cada afirmação de acordo com as provas disponíveis. Tirar a importância de um argumento só porque ele apresenta um fato que não foi provado sem sombra de dúvidas também é um argumento falacioso.
Exemplo: Beltrano declara que uma chaleira está, nesse exato momento, orbitando o Sol entre a Terra e Marte e que, como ninguém pode provar que ele está errado, a sua afirmação é verdadeira.
***

12. Ambiguidade

Você usa duplo sentido ou linguagem ambígua para apresentar a sua verdade de modo enganoso.
Políticos frequentemente são culpados de usar ambiguidade em seus discursos, para depois, se forem questionados, poderem dizer que não estavam tecnicamente mentindo. Isso é qualificado como uma falácia, pois é intrinsecamente enganoso.
Exemplo: Em um julgamento, o advogado concorda que o crime foi desumano. Logo, tenta convencer o júri de que o seu cliente não é humano por ter cometido tal crime, e não deve ser julgado como um humano normal.
***

13. Falácia do apostador

Você diz que “sequências” acontecem em fenômenos estatisticamente independentes, como rolagem de dados ou números que caem em uma roleta.
Esta falácia de aceitação comum é provavelmente o motivo da criação da grande e luminosa cidade no meio de um deserto americano chamada Las Vegas.
Apesar da probabilidade geral de uma grande sequência do resultado desejado ser realmente baixa, cada lance do dado é, em si mesmo, inteiramente independente do anterior. Apesar de haver uma chance baixíssima de um cara-ou-coroa dar cara 20 vezes seguidas, a chance de dar cara em cada uma das vezes é e sempre será de 50%, independente de todos os lances anteriores ou futuros.
Exemplo: Uma roleta deu número vermelho seis vezes em sequência, então Gregório teve quase certeza que o próximo número seria preto. Sofrendo uma forma econômica de seleção natural, ele logo foi separado de suas economias.
***

14. Ad populum

Você apela para a popularidade de um fato, no sentido de que muitas pessoas fazem/concordam com aquilo, como uma tentativa de validação dele.
A falha nesse argumento é que a popularidade de uma ideia não tem absolutamente nenhuma relação com a sua validade. Se houvesse, a Terra teria se feito plana por muitos séculos, pelo simples fato de que todos acreditavam que ela era assim.
Exemplo: Luciano, bêbado, apontou um dedo para Jão e perguntou como é que tantas pessoas acreditam em duendes se eles são só uma superstição antiga e boba. Jão, por sua vez, já havia tomado mais Guinness do que deveria e afirmou que já que tantas pessoas acreditam, a probabilidade de duendes de fato existirem é grande.
***

15. Apelo à autoridade

Você usa a sua posição como figura ou instituição de autoridade no lugar de um argumento válido. (A popular "carteirada".)
É importante mencionar que, no que diz respeito a esta falácia, as autoridades de cada campo podem muito bem ter argumentos válidos, e que não se deve desconsiderar a experiência e expertise do outro.
Para formar um argumento, no entanto, deve-se defender seus próprios méritos, ou seja, deve-se saber por que a pessoa em posição de autoridade tem aquela posição. No entanto, é claro, é perfeitamente possível que a opinião de uma pessoa ou instituição de autoridade esteja errada; assim sendo, a autoridade de que tal pessoa ou instituição goza não tem nenhuma relação intrínseca com a veracidade e validade das suas colocações.
Exemplo: Impossibilitado de defender a sua posição de que a teoria evolutiva "não é real", Roberto diz que ele conhece pessoalmente um cientista que também questiona a Evolução e cita uma de suas famosas falas.
Exemplo 2: Um professor de matemática se vê questionado de maneira insistente por um aluno especialmente chato. Lá pelas tantas, irritado após cometer um deslize em sua fala, o professor argumenta que tem mestrado pós-doutorado e isso é mais do que suficiente para o aluno confiar nele.
***

16. Composição/Divisão

Você implica que uma parte de algo deve ser aplicada a todas, ou outras, partes daquilo.
Muitas vezes, quando algo é verdadeiro em parte, isso também se aplica ao todo, mas é crucial saber se existe evidência de que este é mesmo o caso.
Já que observamos consistência nas coisas, o nosso pensamento pode se tornar enviesado de modo que presumimos consistência e padrões onde eles não existem.
Exemplo: Daniel era uma criança precoce com uma predileção por pensamento lógico. Ele sabia que átomos são invisíveis, então logo concluiu que ele, por ser feito de átomos, também era invisível. Nunca foi vitorioso em uma partida de esconde-esconde.
***

17. Nenhum escocês de verdade...

Você faz o que pode ser chamado de apelo à pureza como forma de rejeitar críticas relevantes ou falhas no seu argumento.
Nesta forma de argumentação falha, a crença de alguém é tornada infalsificável porque, independente de quão convincente seja a evidência apresentada, a pessoa simplesmente move a situação de modo que a evidência supostamente não se aplique a um suposto "verdadeiro" exemplo. Esse tipo de pós-racionalização é um modo de evitar críticas válidas ao argumento de alguém.
Exemplo: Angus declara que escoceses não colocam açúcar no mingau, ao que Lachlan aponta que ele é um escocês e põe açúcar no mingau. Furioso, como um "escocês de verdade", Angus berra que nenhum escocês de verdade põe açúcar no seu mingau.
***

18. Genética

Você julga algo como bom ou ruim tendo por base a sua origem.
Esta falácia evita o argumento ao levar o foco às origens de algo ou alguém. É similar à falácia ad hominem no sentido de que ela usa percepções negativas já existentes para fazer com que o argumento de alguém pareça ruim, sem de fato dissecar a falta de mérito do argumento em si.
Exemplo: Acusado no Jornal Nacional de corrupção e aceitação de propina, o senador disse que devemos ter muito cuidado com o que ouvimos na mídia, já que todos sabemos como ela pode não ser confiável.
***

19. Preto-ou-branco

Você apresenta dois estados alternativos como sendo as únicas possibilidades, quando de fato existem outras.
Também conhecida como falso dilema, esta tática aparenta estar formando um argumento lógico, mas sob análise mais cuidadosa fica evidente que há mais possibilidades além das duas apresentadas.
O pensamento binário da falácia preto-ou-branco não leva em conta as múltiplas variáveis, condições e contextos em que existiriam mais do que as duas possibilidades apresentadas. Ele molda o argumento de forma enganosa e obscurece o debate racional e honesto.
Exemplo: Ao discursar sobre o seu plano para fundamentalmente prejudicar os direitos do cidadão, o Líder Supremo falou ao povo que ou eles estão do lado dos direitos do cidadão ou contra os direitos.
***

20. Tornando a questão supostamente óbvia

Você apresenta um argumento circular no qual a conclusão foi incluída na premissa.
Este argumento logicamente incoerente geralmente surge em situações onde as pessoas têm crenças bastante enraizadas, e por isso consideradas verdades absolutas em suas mentes. Racionalizações circulares são ruins principalmente porque não são muito boas.
Exemplo: A Palavra do Grande Zorbo é perfeita e infalível. Nós sabemos disso porque diz aqui no Grande e Infalível Livro das Melhores e Mais Infalíveis Coisas do Zorbo Que São Definitivamente Verdadeiras e Não Devem Nunca Serem Questionadas.
Exemplo 2: O plano estratégico de marketing é o melhor possível, foi assinado pelo Diretor Bam-bam-bam.
***

21. Apelo à natureza

Você argumenta que só porque algo é "natural", aquilo é válido, justificado, inevitável ou ideal.
Só porque algo é natural, não significa que é bom. Assassinato, por exemplo, é bem natural, e mesmo assim a maioria de nós concorda que não é lá uma coisa muito legal de você sair fazendo por aí. A sua "naturalidade" não constitui nenhum tipo de justificativa.
Exemplo: O curandeiro chegou ao vilarejo com a sua carroça cheia de remédios completamente naturais, incluindo garrafas de água pura muito especial. Ele disse que é natural as pessoas terem cuidado e desconfiarem de remédios "artificiais", como antibióticos.
***

22. Anedótica

Você usa uma experiência pessoal ou um exemplo isolado em vez de um argumento sólido ou prova convincente.
Geralmente é bem mais fácil para as pessoas simplesmente acreditarem no testemunho de alguém do que entender dados complexos e variações dentro de um continuum.
Medidas quantitativas científicas são quase sempre mais precisas do que percepções e experiências pessoais, mas a nossa inclinação é acreditar naquilo que nos é tangível, e/ou na palavra de alguém em quem confiamos, em vez de em uma realidade estatística mais "abstrata".
Exemplo: José disse que o seu avô fumava, tipo, 30 cigarros por dia e viveu até os 97 anos -- então não acredite nessas meta análises que você lê sobre estudos metodicamente corretos provando relações causais entre cigarros e expectativa de vida.
***

23. O atirador do Texas

Você escolhe muito bem um padrão ou grupo específico de dados que sirva para provar o seu argumento sem ser representativo do todo.
Esta falácia de "falsa causa" ganha seu nome partindo do exemplo de um atirador disparando aleatoriamente contra a parede de um galpão, e, na sequência, pintando um alvo ao redor da área com o maior número de buracos, fazendo parecer que ele tem ótima pontaria.
Grupos específicos de dados como esse aparecem naturalmente, e de maneira imprevisível, mas não necessariamente indicam que há uma relação causal.
Exemplo: Os fabricantes do bebida gaseificada Cocaçúcar apontam pesquisas que mostram que, dos cinco países onde a Cocaçúcar é mais vendida, três estão na lista dos dez países mais saudáveis do mundo, logo, Cocaçúcar é saudável.
***

24. Meio-termo

Você declara que uma posição central entre duas extremas deve ser a verdadeira.
Em muitos casos, a verdade realmente se encontra entre dois pontos extremos, mas isso pode enviezar nosso pensamento: às vezes uma coisa simplesmente não é verdadeira, e um meio termo dela também não é verdadeiro. O meio do caminho entre uma verdade e uma mentira continua sendo uma mentira.
Exemplo: Mariana disse que a vacinação causou autismo em algumas crianças, mas o seu estudado amigo Calebe disse que essa afirmação já foi derrubada como falsa, com provas. Uma amiga em comum, a Alice, ofereceu um meio-termo: talvez as vacinas causem um pouco de autismo, mas não muito.

Suicídio - Sim você tem todo o direito.


Resultado de imagem para suicidio

Em países muito desenvolvidos, a eutanásia ou suicídio assistido é permitido por lei. no Brasil é crime. Se você tentar se matar e for mal sucedido, além de todos os problemas que te levaram a abdicar de viver, ainda vai ter que se explicar pra policia. É claro que isto é um acinte! Felizmente ninguém e nada pode te impedir de dar cabo a própria vida.

A primeira coisa que você tem que ter clareza é se realmente quer se matar ou se só está precisando de atenção. Se você acha que ninguém se importa com você ou que sua vida é mais difícil que a dos outros ou que não pode viver sem o grande amor da sua vida que acabou de lhe deixar, então o que você precisa é de colo, não de morte.

A segunda coisa que você precisa saber é que ninguém se importa, tirando as pessoas que naturalmente se preocupam com você enquanto está vivo. No estado de São Paulo duas pessoas se suicidam por dia (no Brasil são mais de 12), Isto é o mesmo número de pessoas que a policia mata e o dobro de feminicídios (que é quando um homem mata uma mulher). Mas, você nunca vê o Datena ou qualquer outro jornalista dizendo uma palavra sobre isto, enquanto quando a policia mata um bandido ou um homem covarde mata uma mulher, sai em todos os jornais e se faz um verdadeiro auê.

Outra coisa importante é que a imagem que você vai deixar para a posteridade é de uma pessoa doente mental, egoísta ou covarde, mas isto tudo bem, porque você não vai estar aqui para ver mesmo.

Exposto tudo isto, você precisa descobrir se não está doente. No mundo em que vivemos a depressão pega muita gente, desconfio que um número muito maior que o divulgado publicamente. Existe uma névoa sobre esta doença, mas não é este bicho de sete cabeças que o povo ignorante pinta. O cérebro é um órgão como qualquer outro e a diferença é que além de traumas e inflamações, ele pode ter mal funcionamento em sua atuação mais nobre, que é subjetiva. A depressão ataca a parte do seu cérebro que não dá para tocar, mas afeta todo o resto. Você pensa de forma não muito clara e se abate por isto. Vê tudo muito pior do que realmente é, se acha uma droga, acha que a vida e as pessoas são uma droga, não consegue vislumbrar saída para seus problemas. Aí vamos falar sério né? Você não tem moral para decidir sobre querer ou não viver nestas circunstâncias! 

Se você estiver com depressão precisa falar sobre isto com as pessoas de sua confiança e procurar ajuda médica antes de pensar em suicídio. em qualquer posto de saúde do SUS você consegue iniciar o tratamento ou receber um encaminhamento com discrição, facilidade e sem custos. pode até ser que você seja um suicida legitimo, mas se esconder por trás da doença para deixar de viver é uma baita roubada.  Quem busca ajuda sempre supera a doença e acha a vida tão boa que acaba esquecendo de se suicidar. Geralmente depressivos que se dedicam ao tratamento acabam por ver o tal lado bom da vida muito melhor que antes e muito mais que a maioria das pessoas. Depressivos não são suicidas, eles são zumbis teleguiados pela doença, que querem muito viver e ser feliz, mas que sucumbem a moléstia e tiram a própria vida em favor dela, não por vontade própria. 

Então se você sofre de depressão, angustia, tristeza profunda, ansiedade e estas coisas, pare de ler isto e vá se tratar agora! Deixa de ser besta e corra atrás do que realmente lhe importa: a felicidade! vai ver que depois da segunda semana de tratamento, vai estar repetindo na sua cabeça a frase: "a vida é bela"! Este artigo não é pra você.

Agora que já nos livramos dos depressivos vamos prosseguir.  Se você não está doente, não está apenas passando por um momento difícil na vida e pensa em deixar de viver exclusivamente por não ter mais o que fazer nesta terra (já casou e teve filhos adoráveis que já estão criados e são lindos e saudáveis, sua conta bancária está recheada, seu parceiro te ama como se fosse um deus ou uma deusa grega, você está plenamente realizado em todas as áreas da sua vida, mas ainda assim acha a vida um saco), então precisa escolher um método realmente eficaz.
Imagem da internet



Isto de tomar coisas num rola. Na maioria das vezes é um vexame e se você não é depressivo, vai ficar com tanta vergonha depois, que vai acabar desenvolvendo a doença. doses cavalares de remédio ou veneno costumam dar tempo para o socorro e mesmo quando a pessoa morre depois de dias, acaba causando prejuízos para a família, ocupando leito de hospital na vaga de quem quer viver e estas coisas nós não queremos, não é verdade?

Se jogar de lugares altos ou na frente de veículos também é péssimo! Vai causar transtornos e prejuízos para muita gente que não tem nada a ver com esta história. Afinal, você quer se matar ou chamar a atenção?

Usar armas também não é uma boa ideia, além de ser ilegal portar uma, faz muita sujeira e acaba deixando as pessoas próximas em situação difícil, tendo que explicar para a policia o inexplicável.

Um método muito eficaz é afrontar o crime organizado. Você precisa ter sabedoria e paciência. mas em todo lugar tem uma cracolândia ou uma biqueira (ponto de venda de drogas). estes são locais ideais para nosso plano. Então, se você chegar para o traficante e dizer pra ele que quer droga de graça e que se ele não te der você vai denunciá-lo a policia, vai ocorrer o seguinte: ele vai te levar para um lugar ermo, vai te dar uma pá e fazer você cavar um buraco, depois ele vai te espancar e te torturar, mas isto não costuma ser por mais de dois ou três dias e por fim ele vai te dar tantos tiros que você vai parecer uma peneira (não se preocupe com isto porque ninguém que você conhece vai saber), jogar gasolina sobre seu corpo, incendiar, colocar cal e enterrar. na maioria dos casos, nunca mais se acha o corpo e se você não tem um histórico criminal, a maioria das pessoas vai pensar que você simplesmente evaporou e quem te ama de verdade ainda vai te procurar por anos. Não tem erro!


Olha a cabeleira do ZeZé! Gay se transveste e beija quase 200 foliões em SP.

Carnaval, é a festa pagã! Vale tudo! Homens afoitos por encontrar mulheres disponíveis para um relacionamento que dure 10 segundos ou meia hora, no máximo, termine na quarta com as cinzas. Mulheres não são assim tão "facinhas" e mesmo nas folias são seletivas toda vida. Se você saiu atrás de um rabo de saia e conseguiu arrumar algum, saiba que você foi a "menos pior" das investidas dela.

Mas, sempre tem os gays. Estas criaturas inventivas toda vida e sempre dispostas a acolher um desprezado pelas musas das avenidas. Um rapaz em São Bernardo do Campo-SP resolveu ir além e se vestiu de mocinha para beijar muuuuito. E conseguiu! 

Beijou nada menos que 175 foliões, 60 dos quais devidamente fotografados e divulgados nas redes sociais. Beijou muito no carnaval? De repente você está aí na galeria!


O escrever da história.


Julião carrega sempre na carteira uma foto amarelada, rasgada pelo meio. Nela se vêem duas crianças, Lucinha e Aparecida, de trancinhas, brincando na areia. O rasgão denteado corta parte do braço alevantado de uma delas. Julião, emocionado, explica que "é Lucinha me estendendo um ancinho de brincar". Mas Julião não consta da foto, tal como não aparecem o ancinho e a mão da miúda. Português andarilho, Julião sobreviveu em vários estados brasileiros. Mas foi no Rio de Janeiro que, nos idos de 70, encontrou a sua amada, moça do interior baiano que lhe concedeu duas filhas "lindas de morrer". Nas praias de Niterói clicaram dezenas de fotografias - ele com as crianças, ela com as crianças, apenas as crianças. Julião bebia muito, assumia-se mulherengo e boémio de botequim. Um dia, após épica discussão, a baiana desapareceu. Levou as meninas e as fotografias. Menos uma: a "chapa" censurada, com as duas crianças brincando na praia. Julião correu o Brasil, já lúcido, mas não encontrou rasto das filhas. Voltou a Portugal, meteu-se em políticas, leu uns livros, passou pelo 25 de Abril e, quando mostra a foto, lembra-se logo das técnicas estalinistas, de quando se foram apagando dos retratos oficiais as figuras soviéticas de que o líder não gostava, Trotsky à cabeça. Com sofrida ironia, Julião suspira. "Sofri no coração as técnicas do estalinismo fotográfico!" Nos tempos que correm, as técnicas são outras; e democráticas. Tiram-se umas figuras, põem-se outras, baralha-se tudo, dá-se de novo, esquecem-se umas coisas, recuperam-se outras. Orwell disse que "a História é escrita pelos vencedores!" Na verdade, não são os historiadores que escrevem a História, quanto muito reescrevem-na com base em documentos supostamente fiáveis. A verdadeira História escreve-se, vê-se e escuta-se todos os dias - e vai-se refazendo ao longo dos anos e dos séculos. E por isso, são mesmo os vencedores que escrevem a História. O Jornalismo fiável limita-se a descrever o quotidiano de que se alimenta a História. Até as grandes figuras (da política, da ciência, das artes, do jornalismo) vão e vêm ao sabor da História vencedora. Sobra a memória do Povo. O busílis, para os historiadores, é que grande parte da memória do Povo fica-se, neste século, pela memória do que se viu (ou de quem se viu) na TV. Porque, por exagero ou manipulação, criou-se a ideia de que uma imagem vale mais do que mil palavras. Logo, o estalinismo passou a ser democrático. Esquecem-se desmemoriados poderosos que Estaline acabou por não ficar nada bem na fotografia da História. 

O autor: http://www.cmjornal.pt/opiniao/colunistas/victor-bandarra

A filha da Maria (do Rosário) vai com as outras?

Foto do cachorro da família com um "baseado".
Quem viu as postagens da filha da ex-ministra Maria do Rosário ficou perplexo. Muita gente aproveitou para usar as imagens contra as posições da mãe e da esquerda brasileira. Primeiro é preciso ressaltar que esta menina tem problemas - e sérios. Depois podemos elencar algumas considerações sobre a publicidade dada as fotos.

A mãe erra ao permitir a menor, sob sua tutela e incapaz juridicamente, postar tais imagens publicamente, ainda que não passem de poses (o que não parece ser o caso). O caso merece algum tipo de intervenção, inclusive de órgãos competentes e debate nas redes sociais.

Sabemos que os haters são implacáveis e que é preciso tomar muito cuidado com o que postamos ou permitimos nossos filhos fazerem na internet, mas o linchamento é injustificável, pois sendo filha de quem for, tratamos de uma adolescente.

Ao que vemos adolescentes não podem ter todos os direitos que a dona Maria (do Rosário) prega e milhares de meninas e meninos sofrem com exposição nas redes sociais todos os dias, mas não podem ser expostos desta forma (que a menina foi), ao menos por gente digna. Então vamos pensar o seguinte:

Desconsidere a personalidade pública da mãe, analise as fotos como se fossem de sua filha (ou irmã ou namorada) e aí chegaremos ao cerne da questão. Dona Maria foi a policia denunciar os que achincalharam a menina (tá certinha!) mas se esqueceu de denunciar a negligência da mãe. Tá tudo errado, dona Maria!

Fazendo história no Derby Centenário - O juiz chorou e Tchê-Tchê sorriu.

Desde que o Palestra Itália goleou o Corinthians por 3 a 0 até o jogo de ontem (22/02/2017) muita coisa aconteceu. O Derby é parte essencial na construção da história dos dois times e já fez muitos heróis e muitos bandidos. 

Não poderia ser diferente no jogo centenário.  Jô jogou apenas 5 minutos (mas precisou mesmo de 40 segundos) para fazer história ao empurrar a bola para as redes em seu segundo toque na bola e quebrar o favoritismo do alviverde, cujo elenco é infinitamente superior. Thiago Duarte Peixoto, o árbitro da partida fez história ao expulsar equivocadamente o jogador Gabriel.

Ao final da partida dois eventos raros no futebol entraram para os anais do clássico.  o juiz não só se explicou como admitiu o erro e chorou. Sim, Thiago sucumbiu em prantos ao final da partida e teve a humildade de explicar o erro e pedir uma segunda chance.

Gabriel foi jogador do Palmeiras até o fim da ultima temporada e seu ex-companheiro Tchê-Tchê comentou o lance da expulsão durante um live (transmissão ao vivo) de Moisés, jogador que sofreu entrada dura e lesão grave ainda outro dia em jogo contra o ex-time de Tchê-Tchê.

Sabe-se lá se em tom de brincadeira ou muito a sério, o palmeirense afirmou que Gabriel foi traíra ao trocar de time e que por isto mereceu a injustiça.

Tchê-Tchê surgiu no surpreendente Audax-2016 e trocou de time, se continuar jogando a bola que joga não deve demorar a trocar de time novamente (desta vez rumo a Europa ou a China).

A história é continuamente escrita, mais tarde saberemos com certeza o lugar de cada personagem no rol de heróis e bandidos do Derby.

Ladrão é preso, julgado e sentenciado a morte no Rio.


Uns metros de fita, um punhado de gente que uiva, e um atirador. Embora não exista na letra fria da lei, a pena de morte foi aplicada na prática com Patrick Soares, de 20 anos. Patrick deveria, provavelmente, estar em prisão, mas um homem resolveu sentenciá-lo com seis tiros em plena rua nesta terça feira. Não foi em Filipinas, onde seu presidente promove o extermínio de narcotraficantes ou viciados. Foi em Duque de Caxias, a meia hora de carro do centro do Rio.

Patrick, um jovem moreno com brincos nas orelhas, saiu de uma festa às 7h da manhã da terça-feira. Estava acompanhado pelo seu irmão de criação, de 16 anos, e um amigo. Montados em duas motos, no caminho para casa, Patrick anuncia que pretende assaltar uma mulher e o amigo o acompanha dirigindo a motocicleta. O irmão disse que desistiu da empreitada, deu meia volta e foi embora. Em algum momento entre o anúncio do assalto e o crime realmente acontecer, moradores da região prenderam Patrick aos gritos de “pega ladrão”. Foi imobilizado da barriga para baixo com braços e pernas nas costas amarradas com fita.
Foi nesse momento que o irmão resolveu voltar e se deparou com a cena. Não teve muito tempo para reagir porque o grupo, a maioria homens, também o pegou, o arrastou pela rua e amarrou suas mãos alertando que não iriam soltá-los até a polícia chegar. Mas alguém, ainda não identificado, decidiu por todos antes de os agentes aparecerem.
Dentro de um Palio, pelo menos um homem – os PM's que atenderam a ocorrência falaram de vários – parou ao ver a confusão e perguntou o que estava acontecendo. Os moradores e comerciantes relataram a tentativa de assalto e que estavam esperando uma viatura. "Pô, viatura? Vai dar trabalho para os policiais? Sai daí, sai, sai!", disse o atirador, segundo o relato em aúdio de uma das testemunhas. Sem muita mais conversa o recém chegado atirou. Seis vezes. Duas na cabeça, três no tórax e uma no braço esquerdo. Todos correram enquanto o homem ia em direção ao irmão. Alguém disse que o rapaz não tinha relação com o assalto e o menor foi absolvido. A polícia investiga agora se os justiceiros eram milicianos, os braços da lei onde o Estado é ausente, e se foram chamados por algum morador. Poderiam estar efetivamente com sede de justiça ou avançando na conquista do bairro, hoje dominado pelo tráfico. Não importa mais.
A reportagem tentou contato com a família de Patrick, que não tinha passagem policial, sem sucesso. Durante o enterro, nesta quarta-feira, uma prima do jovem desabafou ao jornal Extra: "É muita maldade no coração do ser humano. Se ele estava roubando, não cabia à população julgar. Pelo que eu entendi, na hora, quando as pessoas o agarraram, ele não conseguiu se expressar, se defender."
O caso de Patrick é mais um num país onde acontece um linchamento por dia, conforme documenta o sociólogo José de Souza Martins, autor do livro Linchamentos - A justiça popular no Brasil (Contexto, 2015). Em setembro do ano passado, também em Duque de Caxias, um linchamento teve um desfecho similar. Um homem apareceu do nada e atirou quatro vezes no rosto de Ronaldo Silva Santos que, alcoolizado, acabava de atropelar uma família que saía da igreja e acabou matando duas crianças. Também na época se especulou sobre um miliciano. Outros casos de linchamento ou execução em plena rua se repetiram na abandonada Baixada, mas também em zonas nobres da cidade. Em 2014, um garoto foi amarrado a um poste com a trave de uma bicicleta, e espancado por um grupo de justiceiros no bairro do Flamengo.
Atos de justiça popular, quase sempre registrada em vídeo, têm se repetido inclusive em Copacabana, em vingança aos assaltos coletivos nas suas praias. E a prática repete-se no Brasil todo. Em convesra com o EL PAÍS em 2015, Souza disse que esse cenário refletia um país onde as instituições não funcionam e a Justiça é morosa, cara, complicada. “Ninguém vai esperar um processo porque já está convencida de quem cometeu o crime. A instituição judiciária no Brasil sempre foi um luxo para quem pode pagar um advogado, para quem conhece as regras”, afirmou Souza, após o linchamento e morte de um suposto ladrão em um bairro pobre de São Luís, no Maranhão. “Nós temos duas sociedades, uma que segue as regras do estabelecido e outra que não as segue porque não concorda com elas”.
do jornal espanho El Pais.